O receio de retaliação dos participantes do movimento fez com que os grevistas redigissem um manifesto. O documento, que será encaminhado hoje à Câmara Municipal, à Urbs e ao Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo, pede que os trabalhadores não sejam punidos.
Os manifestantes querem ainda que o reajuste dos salários não seja repassado para as tarifas e exigem a destituição da diretoria do Sindimoc. Mas o presidente da Urbs, Fric Kerin, disse ontem que os responsáveis pela greve serão identificados e punidos.
Com a suspensão do movimento, os grevistas esperam ter conseguido mais tempo para negociar esses pontos. Eles ainda querem rediscutir as reivindicações da categoria, como piso salarial de R$ 895,00 para motorista e R$ 537,00 para cobrador, cesta básica de R$ 60,00, entre outros. Uma comissão de 13 motoristas e cobradores foi formada ontem para tentar uma negociação.
Mas o sindicato patronal não aceita firmar um novo acordo. ‘‘Não reconheço a legitimidade dessa comissão. Uma convenção já foi assinada pelo sindicato da categoria. Essa greve é política’’, afirmou o presidente do sindicato, Orlando Bertoldi. O movimento também foi considerado ilegal e abusivo pelo Tribunal Regional do Trabalho, que determinou a retomada imediata do trabalho.
A Urbs também não reconhecia a legitimidade da comissão. De acordo o presidente, para que uma greve fosse desencadeada, também deveria haver um aviso antecipado de 72 horas. ‘‘Não há possibilidade de negociar com esses grevistas’’, afirmou Kerin.
Segundo Bertoldi, se fosse concedido o reajuste pedido pelos grevistas, o valor da tarifa de ônibus, que é de R$ 1,25, passaria de R$ 1,50. Os manifestantes denunciaram que o Sindimoc e o sindicato patronal teriam um acordo para justificar o reajuste de tarifas. Bertoldi disse que ‘‘é pura invenção’’.

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