Curitiba - No início da tarde de quarta-feira, o jornalista Eduardo Fenianos conversava com uma das personalidades mais famosas do Calçadão da Rua XV de Novembro, no Centro de Curitiba, a dona Teresinha, ou, como é conhecida, a ''Borboleta 13''. Nada incomum, até o jornalista explicar que o bate-papo o ajudou a conseguir um lugar para dormir à noite - missão diária desde o último sábado, quando começou uma expedição a pé pelo Centro da cidade sem nenhum centavo no bolso, e apenas uma mochila.
''Quando eu conversava com a dona Teresinha chegou uma senhora que resolveu me ajudar. Hoje já tenho onde dormir'', relatou Fenianos, que desde o início da ''viagem'' já dormiu na casa de um casal na Praça Tiradentes, num apartamento de um engenheiro, ao lado do Passeio Público, e até num hotel de luxo, em frente à Praça Santos Andrade. Tais experiências fazem parte de um projeto intitulado Viagem ao Centro de Curitiba, cuja proposta é resgatar lugares abandonados ou ignorados pela população.
''A rua São Francisco, entre a Presidente Farias e a Cândido de Abreu, precisa ser melhor cuidada. Ela faz parte do centro histórico da cidade e virou ponto de drogas e de prostituição'', criticou Fenianos. Após o fim da expedição, previsto para às 9h30 de sábado na Praça Osório, o jornalista pretende entregar à Prefeitura de Curitiba um relatório sobre os pontos problemáticos do Centro.
O projeto não termina aí. Quase 800 fotos já foram tiradas pelo jornalista, que também carrega cadernos de anotações - material que deverá servir para a elaboração de um roteiro turístico. ''Quero que o morador da cidade volte para o Centro como se fosse um turista. Ainda existem aqueles moradores tradicionais, que de vez em quando sentam nas praças para conversar, mas a maioria das pessoas passa pelo Centro correndo, sem enxergar nada'', disse ele.
Além dos equipamentos, o jornalista carrega na mochila algumas roupas, pares de tênis, guarda-chuva, capa de chuva e bússola. E apesar de ter tido sorte na hora de arranjar lugar para dormir, o mesmo não aconteceu quando precisou se alimentar. ''Na segunda-feira, minha primeira refeição do dia foi feita às 16 horas. Comer tem sido complicado porque as pessoas às vezes acham que é golpe. No caso dos estabelecimentos comerciais, se o proprietário não está no local fica difícil o atendente me ajudar'', explicou.
Fenianos ficou conhecido nacionalmente ao fazer uma viagem parecida em Curitiba, entre os anos de 1997 e 1998, e em São Paulo, entre os anos de 2001 e 2002. No ano de 2003, expedição semelhante também foi feita pela cidade de Florianópolis. ''A idéia é sempre resgatar o próprio local onde moramos, pois somos extremamente ignorantes sobre o lugar em que vivemos''.
Após tantas expedições, o jornalista de 34 anos também passou a ser chamado de ''urbenauta'', e se recusa a informar em qual cidade nasceu: ''Sou brasileiro'', diz. Ele tem um site na internet - www.urbenauta.com.br. Para quem quiser conversar com o urbenauta, ou oferecer estadia, até sábado o jornalista estará atendendo através do DiskCentro, pelo telefone 9207-9501.

mockup