Londrina - Nascida e criada em apartamento, a antropóloga Márcia Oliveira fez um caminho inverso ao traçado pelos proprietários rurais cujos imóveis foram "engolidos" pela cidade. Há dez anos, ela mora com o marido e o filho adolescente em uma casa que ocupa um terreno de proporções que lembram uma chácara, na Zona Sul de Londrina. "Gosto de plantas, espaço, tranqüilidade e contato com a natureza", explica.
Ela aprecia a sensação de estar longe do burburinho urbano, mas numa distância do centro que permite à família almoçar em casa todos os dias. Apesar de nunca ter tido ligação com o meio rural, Márcia construiu um fogão de lenha e gosta de conhecer o canto dos animais e descobrir novos ninhos de passarinhos. "A vida tem que ser mais simples", diz.
Moradora de um bairro tranqüilo, ela enfrenta a ameaça da insegurança com cachorros e o bom relacionamento com a vizinhança. "Somos amigos de todos os vizinhos e estamos sempre cooperando uns com os outros. Aqui a gente ainda cultiva o hábito de fazer bolo e levar na casa ao lado", comenta.
O empreiteiro Jair Pugas de Azevedo também não vive da agricultura, mas optou por morar numa chácara na zona urbana por causa do conforto. "Queria espaço para construir uma piscina e um campo de futebol", conta. Com essa opção, ele resgatou também os tempos da infância e adolescência passadas no sítio. "Morar numa chácara era uma vontade antiga", diz.
Para ajudar nas despesas, Azevedo aluga o imóvel para festas. "Mas no final do ano é só para uso da família. Tem vezes que reúno três times de futebol para jogar", revela. O silêncio, a tranqüilidade e o contato com a natureza são as principais vantagens elencadas para justificar a escolha pela vida pacata na propriedade. "A única desvantagem é o trabalho que temos com a limpeza". completa. (C.A.)

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