‘‘Se me perguntarem qual é a melhor cidade para viver no Brasil, eu responderei que é Curitiba’’. A declaração é do arquiteto e urbanista Cândido Malta Campos Filho, ex-secretário de Planejamento da Prefeitura de São Paulo. Em entrevista ao ‘‘Jornal do Brasil’’ do último domingo, ele fez um sério alerta às administrações municipais de todo o País sobre o colapso ocasionado pela má ocupação do solo urbano, infra-estrutura precária, trânsito caótico e poluição.
‘‘Numa era de extrema competição internacional, a cidade que não puder dar qualidade de vida a seus executivos vai perder investimentos’’, observa. E completa: ‘‘Por que a fábrica da Renault foi para Curitiba? Porque empresários franceses não querem viver numa cidade como São Paulo’’.
Para mostrar a fragilidade das grandes cidades frente à ‘‘caotização urbana’’, o arquiteto citou o problema da Ponte dos Remédios, em São Paulo. ‘‘Basta uma ponte trincar ou uma chuva forte cair que tudo pára’’, analisa. Para Campos Filho, a solução dos problemas dos grandes centros passa pela garantia de planejamento futuro. E aconselha as cidades a rever seus planos diretores para adequá-los às demandas da população.
O prefeito Cassio Taniguchi, presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec), elegeu a integração da metrópole com os municípios vizinhos uma das principais metas de sua gestão. Cassio está estendendo a discussão sobre a adequação dos planos diretores aos 25 municípios metropolitanos. ‘‘É a forma de nos prepararmos para o crescimento que fatalmente virá com a instalação de novas indústrias e que deve acontecer de forma integrada’’, analisa Cassio. ‘‘A Grande Curitiba do ano 2.000 deve ser um bloco de cidades solidárias e com poucos contrastes sociais’’, completa.
Outro alerta feito por Campos Filho diz respeito ao trânsito. Com a estabilização econômica, uma grande quantidade de automóveis novos passou a rodar, comprometendo o sistema de circulação das cidades.

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