Londrina – Inspiradas no conceito de policiamento comunitário, as Unidades do Paraná Seguro (UPS) caminham para a estagnação. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), o governo estadual não vai instalar novas bases nos próximos anos. Recentemente, o ex-secretário de Segurança Fernando Francischini já havia admitido, em entrevista ao G1 Paraná, que o projeto da UPS não havia funcionado como o governo esperava. O Estado conta hoje com 14 bases. Destas, dez estão na capital, duas na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e duas no interior – uma em Londrina e outra em Cascavel (Oeste).
"Partiu-se para um novo projeto, baseado no patrulhamento pelos módulos móveis, que permitem maior mobilidade dos policiais e uma maior amplitude de fiscalização ostensiva, sempre que necessário, além de apoio em grandes eventos", informa a Sesp, em nota encaminhada à reportagem. Este método, de acordo com a secretaria, foi acrescentado aos projetos de segurança já em andamento.
A primeira UPS foi instalada no Estado em 2012. A instalação, segundo a Sesp, priorizou localidades com alta taxa de tráfico de drogas e homicídios, seguindo critérios técnicos e estatísticos. Os policiais designados para a base fazem patrulhamento permanente na área a fim de aproximar a instituição da comunidade. Em Londrina, o trabalho começou em 2013, no Jardim União da Vitória (zona sul).
De acordo com a Sesp, os módulos móveis estão rodando nos grandes centros urbanos de todo o Estado. São 100 unidades já entregues ao longo do ano passado – um investimento de R$ 143 mil para cada módulo. Mesmo assim, ainda não há previsão para desativação das UPS. "São duas estratégias distintas e, como já dito, não é necessário o abandono de uma para dar seguimento a outra. A UPS trabalha com o resgate de cidadania em localidades chave, que foram mapeadas e diagnosticadas pela análise criminal da secretaria. Os módulos, como o próprio nome sugere, permitem uma mobilidade maior para que o policiamento chegue a diversas localidades", reforça a secretaria.
Para o coordenador do Núcleo de Direitos Humanos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), o sociólogo Cézar Bueno, a estagnação da política das UPS mostra a falta de planejamento do governo em relação ao policiamento comunitário e ações de pacificação. "É mais uma iniciativa populista que sai ao sabor das circunstâncias. Imagine fazer investimentos em nome de um processo de pacificação e abandonar esta premissa em um curto espaço de tempo. Tudo isso tem um custo", alfineta.
Na opinião de Bueno, a estratégia de fortalecer o policiamento através de módulos móveis também não tende a criar vínculos ou qualquer identificação da força policial com a comunidade. "Os módulos são mais próximos ao modelo tradicional de policiamento, enquanto a UPS busca uma relação de identidade com a população, que possa ajudá-la a resolver conflitos. É uma política diferente que poderia ser estabelecida ainda em outras regiões do Estado carentes deste tipo de iniciativa", argumenta.

mockup