Luciana Pombo
A União Paranaense dos Estudantes (UPE) iniciou esta semana uma campanha contra o reajuste das mensalidades nas escolas particulares de ensino superior. Segundo o presidente da UPE, Fernando Delicato, a intenção é garantir com que os alunos permaneçam o ano nas salas de aula. ‘‘A inadimplência nos cursos de ensino superior chega a 30% e poderá aumentar, causando evasão escolar, caso haja um reajuste de preços’’, afirmou ele.
Para justificar o congelamento das mensalidades durante o segundo semestre, a UPE apresenta os dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) que demonstram que o desemprego no Estado está concentrado entre os jovens com idades entre 17 e 24 anos. Outro dado levantado pelo Dieese, é o de que a inflação em 97 foi de 9,9% e os reajustes escolares chegaram a 31,8%. Em 96, aconteceu situação semelhante, a inflação foi de 27,48% e o aumento das mensalidades chegou a 68,3%. ‘‘Com os dados em mãos, não temos como justificar qualquer tipo de aumento de preços’’, disse Delicato.
As primeiras negociações com as faculdades e universidades particulares começaram a ser realizadas na semana passada. Duas universidades de Curitiba já resolveram aderir ao movimento: a Uniandrade e a Tuiuti. ‘‘Acho que as escolas de ensino superior irão se engajar nesta idéia e combater a crise sem reajuste de mensalidades’’, afirmou Vilson Barjerski, diretor de escolas pagas da UPE e presidente do Diretório Central dos Estudantes da Uniandrade.
Os estudantes ainda preparam greves e mobilizações em faculdades que resolverem reajustar os preços, contrariando a campanha da UPE. ‘‘Vamos negociar antes, mas se não conseguirmos resultados positivos, tomaremos providências jurídicas e faremos paralisações’’, alegou Delicato.
A presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná, Emília Guimarães Hardy, diz que a maioria das faculdades não deverá promover reajuste de preços. ‘‘Acho que todos estão sensíveis ao momento econômico do País e sabemos que esta não é hora de promover aumentos de mensalidades’’, afirmou ela. No entanto, Emília salientou que algumas faculdades poderão reajustar os preços dos cursos nos casos de aumento de laboratórios e ampliação de oferta de vagas e benefícios. ‘‘Não admitiremos que as faculdades trabalhem no vermelho, a maioria não reajustará, mas teremos alguns casos especiais que terão que ser respeitados’’, disse ela, sem querer citar as faculdades que poderão reajustar os valores das mensalidades.
A UPE deverá levar a proposta estadual de congelamento de mensalidades para o Congresso Nacional dos Estudantes que ocorrerá em Belo Horizonte, entre os dias 30 de junho e 4 de julho. ‘‘Queremos que a campanha seja nacional’’, alegou Barjerski.

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