UPE busca dinheiro para reforma
UPE busca dinheiro para reforma
Jorge Eduardo
Marcelo Almeida
Joel Benin, presidente da entidade, lidera campanha para revitalizar a sede, que pertence ao governoA União Paranaense dos Estudantes (UPE) lança hoje à noite, com direito a badalado coquetel no Curitiba Trade Center, uma campanha pela restauração do Palácio dos Estudantes, a sede da entidade. Localizada na Rua Carlos Cavalcanti, esquina com João Manoel, perto do Centro, a construção - cuja beleza chamava a atenção e hoje está mais para casa mal-assombrada - completa 80 anos em novembro.
O prédio, pertencente ao governo do Estado, teve a cessão em comodato à UPE vencida em março de 1991 e se encontra completamente degradado - sem pintura, telhado furado de goteiras, assoalho podre, instalação elétrica com problemas, canos entupidos. O presidente da entidade, Joel Benin, estudante de história da Universidade Tuiuti, calcula que serão necessários pelo menos R$ 400 mil nas reformas. Vamos mobilizar toda a sociedade, pois o prédio e a UPE pertencem à história do Paraná, diz. A idéia dos estudantes é transformar a casa num centro cultural, com espaço para shows, salas de conferências e, naturalmente, um belo bar.
Joel Benin, que assumiu a presidência da UPE em setembro do ano passado, diz estar formando uma comissão de notáveis para dar prestígio à campanha, com a participação dos empresários de comunicação João Milanez, Francisco Cunha Pereira, Paulo Pimentel e dos ex-governadores José Richa e Alvaro Dias. A sede da UPE foi um grande palco da luta pela democracia e vamos preservar sua memória, discursa Benin, militante também do PC do B.
Mas, se depender do coordenador do Patrimônio do Estado, Ângelo Zani, o palacete será devolvido ao Executivo para ter outra finalidade. O imóvel está daquele jeito por culpa única e exclusiva dos estudantes, acusa. A atual diretoria pode até ser bem intencionada, mas não há nenhuma garantia de que as próximas terão a mesma preocupação.
O contrato de cessão do palacete à UPE, em regime de comodato, valeu de 31 de janeiro de 1989 a 30 de março de 1991. Desde aquele época, portanto, a UPE ocupa o imóvel irregularmente. Não houve até agora, contudo, nenhuma ação concreta do governo para retomar a casa. Segundo Ângelo Zani, o orçamento levantado pelos estudantes é até modesto perto do que será preciso gastar na reforma da casa. Temos um orçamento do Decon (Departamento de Construções), de três anos atrás, que já chegava perto dos R$ 400 mil estimados pela UPE. Sairia bem mais em conta eles devolverem o imóvel e comprar outro em melhores condições, aconselha.
Com efeito, a casa está mais para mocó do que para Palácio dos Estudantes, tanto que o Patrimônio do Estado já recebeu orientação, da Regional Matriz da Prefeitura, para cercar a construção, que estaria até perigando desabar. Mas a diretoria da UPE, apesar de tudo, está ali instalada e ali pretende ficar. A entidade vive das contribuições dos estudantes, que pagam R$ 12 reais pela identidade estudantil, que lhes garante meia entrada no cinema e, esperam, garantirá meia passagem no transporte coletivo. Parte dessa arrecadação vai para os diretores, que ganham R$ 270 por mês cada um a título de ajuda de custo. Naturalmente, não dá nem para começar a reforma, daí a campanha a ser lançada hoje. Não temos o dinheiro para revitalizar nossa sede, mas com a ajuda da sociedade, do empresariado, teremos o palácio renovado, espera Joel Benin.
Depende de Lerner
O decadente Palácio dos Estudantes tem sua memória ligada ao desleixo de seus ocupantes. Alugado ao Departamento de Geografia, Terras e Colonização do Estado, até 1958, teve de ser comprado pelo governo, pois a proprietária, Raquel Lins e Souza, recusava sua devolução, tal seu mau estado de conservação. No ano seguinte, foi cedido à UPE e, em 1961, quase foi entregue de graça. A entidade, porém, recusou a doação do governo, pois não tinha dinheiro para custear as despesa de manutenção do palacete.
Em 1968 e 1969, no auge da ditadura, a UPE foi extinta, junto com a UNE, e deixou o palacete na marra. Na Justiça Federal, perdeu uma ação e ficou sem móveis e utensílios de cozinha. Em 1970, o governo do Estado doou o imóvel à Paranatur, recém-criada, para que esta pudesse integralizar seu capital. Em 1975, foi construído outro imóvel, ao lado, hoje ocupado pela Casa Latino-Americana. Em 1983, durante o governo de José Richa, ex-estudante de odontologia e ex-presidente da entidade, o palacete foi cedido em comodato à UPE, mas o contrato venceu em 30 de março de 1991. Seu destino, agora, está nas mãos do ex-estudante de arquitetura Jaime Lerner.





