Imagem ilustrativa da imagem UPA do Jardim do Sol poderá ter ponto base da GM
| Foto: Gina Mardones/ Grupo Folha

A questão da segurança nas UPA (Unidades de Pronto Atendimento) de Londrina ganhou holofotes após o episódio de agressão na noite de domingo (18). Um vídeo gravado por uma acompanhante de uma paciente mostra o momento em que um técnico em enfermagem da UPA do jardim do Sol (Centro-Oeste) desfere um tapa na cara de um paciente na sala de espera.

Na madrugada de terça-feira (19), outra confusão foi registrada na unidade que fica na zona oeste. Dois moradores de rua se envolveram em uma briga na entrada da unidade. O fato assustou os pacientes que aguardavam atendimento.

O secretário municipal de Saúde, Felippe Machado, ressaltou que o servidor que aparece nas imagens agredindo o rapaz segue afastado da função até que o caso seja apurado pela Corregedoria-Geral do município. "Encaminhamos alguns documentos e ainda nesta semana devem ocorrer as oitivas das pessoas que estavam de plantão na UPA", disse.

Em relação à segurança, ele destacou que algumas ações estão sendo tomadas desde o início da administração e sinalizou para a possibilidade de a GM (Guarda Municipal) ter um ponto base na UPA do jardim do Sol. "Eles ficarão naquela localidade, de onde sairão para fazer as diligências, permanecendo mais tempo na unidade e trazendo mais segurança aos usuários. Além disso, nesta semana deverá ser iniciada a substituição das portas e, paralelamente a isso, foi designado um servidor para controlar o fluxo de entrada na unidade", comentou.

Segundo o secretário de Defesa Social, Pedro Ramos, guardas municipais já têm atuado nas unidades de pronto atendimento da cidade, principalmente nos horários de pico, quando o volume de pessoas é maior se comparado com outros períodos do dia. “Como temos o efetivo aplicado a noite fazendo rondas nos prédios municipais na maior parte do tempo, quando temos que fazer o ponto base, que é a viatura ficando no local, elegemos aqueles que registram maiores incidências. Temos atendido as UPA e nos horários de maior movimentação mantido o GM durante todo o tempo.”

REFORÇO
Machado detalhou sobre o reforço na parte estrutural de todas as unidades de saúde que estão sendo reformadas, como mais uma maneira de aumentar a segurança. "Na UPA do jardim Sabará, por exemplo, substituímos todas as portas por estruturas de ferro e com fechamento eletrônico. A recepção foi feita com guichê para o servidor ter um pouco mais de privacidade nos atendimentos. Esse projeto também está sendo previsto para a UPA do jardim do Sol", garantiu.

Sobre o prazo para a readequação no jardim do Sol, o secretário de Saúde ponderou que a unidade tem problemas estruturais graves desde 2015 e que, por isso, a intervenção demandará um projeto maior, para não comprometer a edificação.

INQUÉRITO
No esfera criminal, a Polícia Civil está ouvindo testemunhas e envolvidos na confusão que aconteceu na UPA do jardim do Sol, no domingo a noite. Já prestou depoimento o paciente que recebeu o tapa do técnico em enfermagem. Ele relatou que teria sido agredido anteriormente ao momento que é registrado ao vídeo, que viralizou nas redes sociais, e que foi até a sala onde iniciou a confusão para buscar medicamentos. Ele passou por exames de corpo de delito no IML (Instituto Médico-Legal).

Novas oitivas estão programadas para esta quinta-feira (22) e a polícia aguarda a indicação de servidores que estavam no plantão por parte da secretaria de Saúde, que já foi oficiada. “Estamos solicitando imagens de monitoramento e adotando as medidas necessárias para concluir o inquérito, que não tem relação com o procedimento administrativo da prefeitura. Precisamos dos laudos e testemunhas para ver os crimes que este servidor incorreu, analisando todo o contexto”, explicou o delegado Antônio Silvio Cardoso, responsável pelo inquérito.

Entre os crimes que podem ser imputados ao servidor estão lesão corporal e cárcere privado. “O cárcere pelo paciente ter sido mantido numa sala. O funcionário público pode perder o cargo pelo próprio poder judiciário, se assim entender após o inquérito”, apontou Cardoso. (Colaborou Pedro Marconi)

Atualizada às 18h34

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