Unopar desiste de encampar a FFALM
Edna Mendes - De Cornélio Procópio
Alexandre Sanches - De Londrina
A Universidade Norte do Paraná (Unopar) desistiu de encampar a Fundação Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel (FFALM), de Bandeirantes (34 quilômetros de Cornélio Procópio), como câmpus avançado da instituição. A informação foi dada à Folha ontem, no final da tarde, pelo reitor Marco Antônio Laffranchi, ao saber da polêmica criada no município após a prefeitura ter manifestado interesse em doar a instituição em regime de comodato à Unopar.
A Unopar, em nenhum momento, esteve interessada pelo patrimônio físico da faculdade, mas pelo patrimônio intelectual e científico, principalmente pela possibilidade de desenvolver novos cursos para atender o Norte Pioneiro. E só iríamos a Bandeirantes se houvesse uma acolhida de toda a comunidade. No momento em que há alguém contra, estamos cancelando nosso interesse pela faculdade, resumiu Laffranchi.
A família Meneghel, fundadora da FFALM, posicionou-se contra a encampação da instituição pela Unopar. A empresária Carlota Meneghel disse ontem à Folha que a família está disposta a defender o nome da faculdade, mesmo que seja preciso levar o caso à Justiça.
Não temos nada contra a Unopar, a nossa resistência é entregar, de mão beijada, uma faculdade de renome nacional. O protocolo da Unopar é um escândalo, afirmou Carlota. Para oficializar a opinião da família Meneghel, anteontem, foi publicada na imprensa uma notificação assinada pelo juiz Antonio Acir Hrycyna. A notificação relata o processo de negociação da prefeitura de Bandeirantes a partir do protocolo de intenções assinado pela direção da Unopar.
A notificação diz que fugindo completamente dos objetivos de criação da fundação, fato que caracteriza desvio de finalidade, o município, na pessoa do prefeito Lino Martins, está em vias de encaminhar projeto de lei à Câmara Municipal autorizando-o a transferir, sem ônus à Unopar, todo o acervo da FFALM. A Folha apurou que, após a publicação da notificação, o prefeito Lino Martins (PTB) solicitou que a família Meneghel participe de uma reunião, que deve acontecer nos próximos dias, sobre a FFALM.
Para Carlota, o prefeito está tratando do assunto de maneira impensada, sem sequer cogitar a possibilidade de se fazer uma licitação, disse. A empresária não soube informar o valor de todo o complexo que engloba a FFALM.
Carlota considera uma aberração dizer que atualmente a escola é deficitária. Sabemos que a maioria das instituições passam por dificuldades. Isso não é novidade para ninguém. Segundo ela, a implantação de novos cursos, a partir do ano que vem, poderão ajudar na manutenção da FFALM.
Para 2000, estão aprovados pelo Ministério de Educação os cursos de medicina veterinária, engenharia de alimentos, química e biologia, que terão vestibular em janeiro.
O protocolo de intenções da Unopar diz que a instituição pretende assumir toda a administração e as atividades da FFALM. O documento diz ainda que a partir da autorização municipal todo o câmpus da Fundação passa a ser câmpus avançado da Unopar.
Uma comissão formada por representantes da FFALM, Câmara Municipal, prefeitura, família Meneghel e diversos órgãos estuda a viabilidade da proposta da Unopar. Segundo a comissão, o protocolo apresenta falhas e não esclarece itens como, por exemplo, o que aconteceria com as dívidas da FFALM, quando e quais cursos a Unopar implantaria em Bandeirantes.
De acordo com o juiz Hrycyna, a notificação da família Meneghel é uma forma de protestar publicamente sobre o caso e preservar os direitos dos fundadores da faculdade. Esses autos poderão ser usados mais tarde, caso seja impetrada uma ação judicial, explicou. A Fundação Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel foi criada em 1971 pela família Meneghel e doada, em regime de comodato, ao município em 1973. Dos 62,7 alqueires do complexo, 47,7 alqueires pertencem aos Meneghel.





