Maurício Borges
De Apucarana
Os acadêmicos de medicina que substituíam médicos nos plantões de fim de semana no Hospital Municipal de Marilândia do Sul (28 km ao sul de Apucarana), eram da Universidade Unoeste, de Presidente Prudente (SP). A confirmação foi feita ontem à Folha, por telefone, pelo diretor do curso de medicina da universidade, médico Henrique Salvador.
Em depoimentos dados em inquérito policial, a atendente de enfermagem Lourdes Gutierrez, e a secretária administrativa Shirlei Munhoz Dezote, revelaram ao delegado Odair Cordeiro que três estudantes de medicina eram os responsáveis pelos plantões de sábado e domingo no hospital. Eles prescreviam remédios ou exames aos pacientes, utilizando nomes e números do Conselho Regional de Medicina (CRM) dos médicos José Jorge Bosco e Fernando Jorge Siroti.
O hospital foi interditado há oito dias pela 16ª Regional de Saúde (Apucarana), depois de uma vistoria solicitada pelo Ministério Público. Entre outras irregularidades foram constatadas condições higiênico-sanitárias inadequadas, remédios vencidos e um falso médico (Gérson Carlos Pizápio), que utilizava o nome de ‘‘Dr. Nélson Menoger’’ e clinicava há oito meses no local.
O diretor da Unoeste, Henrique Salvador, checou os três nomes mencionados nos depoimentos dados à polícia, e de imediato identificou um dos estudantes: Clinton Lanviane Janeiro, aluno do último ano.
Os outros dois nomes (Márcio e Alexandre) não foram confirmados. ‘‘Vamos checar melhor, porque existem vários acadêmicos com estes pré-nomes’’, afirmou. Salvador, que também faz parte da diretoria do CRM paulista, reconheceu que a situação configura um grave delito criminal. ‘‘O diretor clínico do hospital deve ser responsabilizado’’, disse.
O diretor explicou que a Unoeste mantém um hospital universitário e convênios com mais três hospitais de Prudente para estágio de acadêmicos, acompanhados de médicos.
Quanto à conduta dos acadêmicos denunciados, ele explicou que, se estiverem em dia com suas obrigações com o curso e não estejam desabonando o nome da faculdade, não caberá qualquer punição a eles. ‘‘A comissão de ética da Unoeste irá acompanhar o caso’’, garantiu Salvador.

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