Universitários reclamam da Casa de Estudante
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sexta-feira, 09 de junho de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Em seu último dia como reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Eduardo Di Mauro enfrentou um protesto de alunos, que questionam o espaço reservado para cada um dos futuros ocupantes da Moradia Estudantil (ou Casa do Estudante, como é mais conhecida) construída no campus. Munidos de cartazes com frases como ''Eles querem fazer disso um depósito humano'', cerca de 20 estudantes tentaram entrar na reitoria, onde estava marcada uma entrevista coletiva para divulgar um balanço da administração que terminou ontem.
Impedidos de entrar na sala do reitor, os estudantes permaneceram do lado de fora, escutando a entrevista e, a certa altura, chegaram a questionar Di Mauro, que irritou-se com a interferência. Em nota enviada às redações anteontem, a assessoria de imprensa da UEL informou que ao final da coletiva o reitor acompanharia os jornalistas em uma visita à nova Casa do Estudante, o que não ocorreu. Segundo Di Mauro, a visita não seria possível porque o prédio ainda não está mobiliado e as chaves não encontravam-se na reitoria. Uma placa na entrada do prédio, porém, diz que a Moradia foi inaugurada em 09/06/2006.
O ex-reitor afirmou que o prédio deve ser ocupado daqui a no máximo dois meses. Ele esclareceu ainda que uma comissão do Conselho de Administração está estudando algumas reivindicações feitas pelos estudantes, entre elas a diminuição no número de ocupantes por quarto. De acordo com a assessoria da UEL, a Casa tem 21 módulos com dois quartos de 12,75 metros quadrados cada e um banheiro de 8,4 metros quadrados para cada módulo. Pelo projeto original, cada quarto seria ocupado por três estudantes, o que dá cerca de 4 metros quadrados por pessoa.
''Até os presidiários têm mais espaço. Por lei, os presídios tem que oferecer 6 metros quadrados por pessoa'', argumentaram os estudantes. Para Di Mauro, porém, esta comparação é ''absurda''. Ele argumentou que na prisão os ocupantes passam o tempo no mesmo ambiente, e que na Casa a idéia é que os estudantes passem mais tempo em outros ambientes do campus. ''Além do mais, um grande número de famílias no Paraná vive em ambientes menores que 12 metros quadrados'', argumentou.
Segundo Di Mauro, que assumiu a reitoria em abril, no lugar de Lygia Pupatto, a construção custou R$ 1,38 milhão, e mais R$ 70 mil devem ser investidos no mobiliário. Mesmo com o prédio fechado, a reportagem pôde constatar que a construção é simples; o piso é de concreto e a pintura foi feita sobre os blocos de cimento. Não há janelas na construção, apenas vitrôs. Os estudantes ainda pedem que seja mantida a Casa do Estudante que funciona hoje no Centro, em imóvel alugado, mas o ex-reitor informou que a decisão também caberá ao Conselho de Administração.
Durante a entrevista, Di Mauro esteve acompanhado da vice-reitora Berenice Quinzani Jordão. Eles relataram que nos últimos quatro anos os esforços foram para resgatar a imagem da universidade, que estava desgastada interna e externamente. Entre as principais conquistas da gestão, ressaltaram a maior participação dos conselhos nas tomadas de decisões; a implantação do plano de carreira para os técnicos administravos; a consolidação do vestibular autonômo e o sistema de cotas para negros e egressos de escolas públicas.


