Cerca de 1.100 mil estudantes da Faculdade de Filosofia Ciências Letras (Fafi) de Cornélio Procópio participaram ontem de uma carreata pelas ruas da cidade e depois realizaram um ato público na Praça Brasil. Foram envolvidos 141 veículos e 11 ônibus com estudantes. Eles reivindicam a nomeação de cinco professores e a contratação de outros sete professores colaboradores. Desde abril do ano passado, o diretor da Fafi, Nelson Sberni, encaminhou ofício ao governo do Estado.
O ato público dos estudantes foi em repúdio ao descaso do governo estadual em relação ao problema. ‘‘Em julho do ano passado o governo prometeu a contratação. Marcou uma nova reunião em janeiro e prometeu que até 22 de fevereiro efetuaria a contratação. Já estamos em março e até agora nada’’, disse o estudante Nivaldo Cândido da Silva. Segundo ele, em 1º de março o secretário da Educação Ramiro Wahrhaftig pediu um prazo de uma semana para regularizar a situação. ‘‘De semana em semana eles vão nos enrolar o ano todo’’, desabafou Silva.
No Oeste do Estado, a mobilização iniciada na semana passada por alunos de Cascavel da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em protesto pela falta de professores, pode se repetir em todos os demais câmpus da instituição, a exemplo do que está ocorrendo em Marechal Cândido Rondon (90 km a oeste de Cascavel).
Os alunos não estão frequentando as aulas desde anteontem e devem continuar ausentes por tempo indeterminado. Muitas turmas também em Toledo e Foz do Iguaçu sequer precisam tomar este tipo de iniciativa, já que não há mesmo professores.
A Unioeste iniciou quatro novos cursos e prepara a implantação de outros 17. Além de professores, faltam laboratórios e material de expediente. ‘‘O problema se repete todos os anos e se agrava na medida em que os alunos avançam de série’’, disse Alexandre Webber, presidente do Diretório Central de Estudantes (DCE) do câmpus de Cascavel. Uma das preocupações é com o curso de medicina, que está entra agora no terceiro ano de funcionamento e depende da estruturação definitiva para que os alunos tenham formação completa.
No total, os quatro câmpus precisam de mais 83 professores, já concursados e à espera de nomeação. Em Marechal Cândido Rondon, a carência é de 25 professores para que todos os 1.150 alunos tenham aulas regularmente nos oito cursos. Ontem, os alunos realizaram passeata pelas ruas da cidade, chamando atenção da população para o problema.
O reitor da Unioeste, Erneldo Schallemberger, reconhece as deficiências materiais e insuficiência de profissionais. A reitoria, porém, depende de liberação do Estado para compras, obras e contratações, porque não tem autonomia orçamentária.

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