Universitários protestam contra falta de docentes
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quinta-feira, 29 de setembro de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Acadêmicos do primeiro ano do curso de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL) realizaram um protesto na tarde de ontem no campus e acabaram expondo a carência de docentes concursados nas universidades públicas estaduais. Sem realização de concurso há três anos, as quatro instituições de ensino superior do Paraná precisam recorrer cada vez mais a professores temporários, o que traria reflexos na qualidade do ensino.
O futuro químico Felipe Morais participou do apitaço com mais cerca de 30 alunos do curso desde o Calçadão até a Reitoria, reclamou que três professores se aposentaram e não foram repostos. Com isso, ele teme que em algumas disciplinas não haja professores para os próximos anos. ''Tem que fazer concurso porque contratar temporário não resolve o problema'', criticou.
O presidente do Centro Acadêmico do curso, Rodolfo Funfas, disse que há mais de um mês quatro turmas de Química e outra de Física não estão tendo aulas de disciplinas como química geral, orgânica e laboratório porque o titular pediu licença-médica e não foi substituído. Os acadêmicos fizeram um abaixo-assinado que já conta com 172 assinaturas pedindo a realização de concurso público.
O pró-reitor de Graduação da UEL, professor Jairo Pacheco, conversou com estudantes e garantiu que ninguém corre o risco de perder o ano letivo. E a demora na escolha do professor substituto teria ocorrido porque somente ontem ele teria passado por perícia médica. ''Sem isso, não é possível substituí-lo'', argumentou. Numa reunião realizada no final da tarde de ontem, ficou acertado que o Departamento de Química vai resolver o problema nos próximos dias.
Pacheco reclamou que tanto o Conselho de Administração quanto a Reitoria fizeram pedidos ao governo do Estado pedindo a abertura de concurso público para contratação de professores, o que não acontece há três anos, mas ainda não receberam resposta. A saída, segundo ele, tem sido recorrer aos temporários, que têm contrato de apenas dois anos. ''Isso prejudica a qualidade do trabalho porque ele fica por um período de tempo curto e não pode se dedicar, por exemplo, à pesquisa'', observou.
De acordo com o diretor de Seleção e Aperfeiçoamento da Pró-reitoria de Recursos Humanos, Paulo Roberto de Carvalho, a UEL conta com 1.640 professores dos quais 309 são temporários. A instituição, segundo ele, solicitou ao governo a abertura de concurso público para preencher 110 vagas. ''Hoje, essa é a principal reivindicação da UEL'', apontou Carvalho.
Além da UEL, as demais universidades estaduais também passam pela mesma situação e precisam recorrer aos testes seletivos para contratação de temporários para não prejudicarem seus alunos. A reportagem telefonou para as instituições e constatou que na UEM, em Maringá, dos 1.484 docentes 253 foram contratados por tempo determinado. Na Unioeste, em Cascavel, dos 1.137 docentes efetivos 21% (239) não são concursados. Na Unicentro, em Guarapuava, são mais 200 professores temporários.
Procurada pela reportagem, a assessoria da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, disse que ainda não há data para realização de concurso público para docentes para preenchimento de vagas nas universidades estaduais.


