A chance de acertar as seis dezenas da Mega Sena, a loteria que mais atrai apostadores no País, é de uma em 50 milhões. Quase tão difícil quanto tornar-se um milionário contando apenas com a sorte é conseguir ser receptor num transplante de medula óssea. A possibilidade, de acordo com cálculos de especialistas, é de até uma em 100 mil. Por isso, quem consegue passar pela cirurgia pode ser considerado um vencedor.
A viabilização do transplante é rara porque depende de pelo menos três fatores: encontrar um doador, torcer pela compatibilidade e pela saúde dele. Mas iniciativas privadas de incentivo à doação de medula óssea começam a dar resultado em Londrina. O aumento do interesse pelo tema nos últimos quatro anos teve como consequência o crescimento do número de nomes na lista de potenciais doadores.
E, contrariando as estatísticas desfavoráveis, três universitários de Londrina foram selecionados para fazer a doação para pacientes compatíveis em outros estados. Um deles é o aluno de direito Alexandre de Barros Braiano, 20 anos. Doador de sangue há quatro anos, decidiu colocar o nome na lista dos doadores de medula óssea, influenciado por uma campanha de conscientização promovida por uma universidade particular de Londrina.
''A princípio, fiquei apreensivo. Depois me informei melhor e fui me tranquilizando. Só sei que dormi e acordei no quarto. Só senti uma dor no local, mas nada grave'', comenta. Braiano enfrentou até a resistência da família. A mãe dele teve medo e criticou o fato de ter de perder aulas na faculdade para fazer a retirada do líquido. ''Depois ela também passou a me apoiar'', ressalta.
A beneficiada foi uma mulher do Rio de Janeiro, cuja identidade não foi revelada. Mesmo ajudando uma pessoa desconhecida, Braiano argumentou que o ato de doar é importante porque, no futuro, algum conhecido ou alguém da família pode precisar.
O reconhecimento veio em forma de diploma de honra ao mérito e medalha, entregues pela Universidade Norte do Paraná (Unopar). Outro jovem, que foi aluno da instituição, e um estudante da Universidade Estadual de Londrina (UEL) também foram selecionados para fazer a doação.
Eles integraram uma lista que recebe cerca de 250 novos nomes por mês. O índice ainda é baixo e precisaria crescer, segundo avaliação do Hemocentro do Hospital Universitário (HU), cerca de 30%. A anestesia local ou geral é o único risco a que está submetido o doador. Por isso, iniciativas com a da universidade tornam-se cada vez mais importantes para desmistificar os perigos e amealhar mais voluntários.
''É importante que mais instituições participem e façam parcerias com o Hemocentro para aumentar o número de doadores. As iniciativas de universidades, empresas, igrejas podem levar informações a mais pessoas. Quanto mais instituições se engajarem, melhor'', destaca a assistente social do Hemocentro, Eliana Rodrigues.
Serviço Mais informações sobre a doação pelos fones (43) 3371-2356, 3371-2218 e 3371-2465 (Hemocentro de Londrina) ou (41) 3281-4000 e 0800-645-4555 (Hemepar de Curitiba)

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