Um equipamento antibomba foi adaptado e executado por alunos do curso de Desenho Industrial, da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em parceria com o 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina. O ''Canhão d'água'', como foi chamado, tem aproximadamente 40 centímetros e funciona através da força hidrodinâmica. O equipamento foi desenvolvido em dois meses, a um custo bem menor que os encontrados no mercado, pelos alunos Anselmo Ferreira dos Santos, Adriano Jensen e Emanuel Cardoso, sob coordenação do professor Ivanóe De Cunto e do tenente Marcelo Israel da Costa, comandante do Grupo de Operações Especiais (Goe) do 5º BPM.
Segundo o tenente, o canhão contêm pólvora de foguete e um cartucho calibre 12 que, quando acionado, lança um jato d' água em alta velocidade, capaz de pulverizar uma bomba. ''Não temos como medir a velocidade da água, mas é muito rápida'', observou Israel. Ele explicou que é necessário apenas 150 milímetros de água para realizar a função. ''Um copinho de água'', enfatizou.
De acordo com Israel, o projeto será usado com mais frequência para detonar bombas mais simples, como as caseiras. ''Mas podemos detonar uma bomba maior. Pra isso, no entanto, é preciso encontrar o sistema de acionamento da bomba'', destacou. Segundo o tenente, com o equipamento é possível pulverizar uma bomba sem causar nenhum dano aos envolvidos. ''Pode até ter um dano material, mas a possibilidade de machucar alguém é bem pequena'', explicou. Ele revelou que foram realizados vários testes, com precisão e sucesso. ''Foi pulverizado um tijolo e um pedaço de tábua de uma polegada, além de amassar uma chapa metálica'', contou.
O professor contou que o projeto foi baseado em um equipamento de origem alemã, que pertence a PM. ''O projeto é o mesmo, mas o custo é bem menor'', explicou. Segundo Ivanóe De Cunto, o canhão original custa R$ 6 mil e o desenvolvido pelos alunos saiu por R$ 800. No original, apenas o alicate da Colômbia, usado para acionar o detonador, custa R$ 1 mil. O alunos criaram um, por R$ 50.
O comandante do 5º BPM, tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza, disse que, com esse novo equipamento, vai melhorar a segurança da cidade. Segundo Guimarães, Londrina não tem muitos casos de bombas, mas é preciso ter uma certa preocupação. Em um ano, de setembro do ano passado até agora, a PM contabilizou seis casos de bombas. Um dos casos foi o de uma bomba disfarçada de rádio, que explodiu e deixou quatro pessoas feridas, entre elas duas crianças, no Jardim Maria Lúcia, em 22 de julho.
Guimarães contou que o equipamento que a PM possui foi usado em cinco vezes anteriores. A primeira vez foi em uma bomba que estava localizada na Joalheria Bergerson, em setembro do ano passado. ''Ele foi usado com sucesso''. Ele adiantou que o novo equipamento é muito necessário, mas espera não ter que usá-lo.
O equipamento, feito com recursos da Unopar, foi entregue à PM, ontem de manhã, durante solenidade no auditório da universidade. Os desenhos técnicos do projeto também foram entregues e estão à disposição de outros batalhões que tenham interesse.

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