''Há cinco anos perdi meus três filhos e minha esposa em um acidente de carro e ainda estou fazendo fisioterapia''. Relatos reais como esse foram divulgados na 1 Campanha de Prevenção de Acidentes da Universidade Norte do Paraná (Unopar), realizada ontem, para alertar motoristas sobre as consequências que a imprudência no trânsito pode trazer.
Professores e alunos de fisioterapia exibiram faixas e entregaram panfletos em quatro dos pontos com maior número de ocorrências de acidentes em Londrina: Av. JK com Av. Higienópolis; Av. Tiradentes com Av. Maringá; Av. Dez de Dezembro com Av. Europa; e na entrada do Shopping Catuaí. Vítimas de acidentes também foram convidadas para mostrar suas próprias experiências.
Segundo o coordenador do curso de fisioterapia da Unopar, Rui Moreira, a universidade oferece atendimento multidisciplinar para pessoas acidentadas que ficaram com sequelas. É grande o número de pacientes que perdem os movimentos de membros ou de quase o corpo todo. ''O duro é que a maioria é de pessoas jovens. E grande parte dos traumatismos no mundo atinge vítimas entre 20 e 39 anos de idade'', destacou Rui.
São casos que acabam comovendo os estudantes que lidam com esse tipo de paciente. Leila Donária de Oliveira, 22 anos, do quarto semestre de fisioterapia, lembrou que seus primeiros contatos com pessoas sequeladas ocorreram sob muita emoção. Mesmo hoje os casos ainda são tocantes.
''Conheci um paciente que foi atropelado no portão de casa quando tinha 15 anos. Ficou paraplégico. Hoje ele tem 32 anos, é casado e aceita bem a situação. Mas por mais que a pessoa consiga levar uma vida normal, nunca volta a ser como era'', diz. A própria estudante passou a ter mais cuidado no trânsito e alertar parentes e amigos. ''Em uma cidade como Londrina, os motoristas precisam ter cuidado tanto com acidentes como com assaltos'', observou.
Para a professora de fisioterapia preventiva Evelize Cristina Araújo, um dos frutos mais trágicos da imprudência no trânsito são as sequelas deixadas em crianças. ''Quando fazemos supervisão de estágio no Hospital Infantil vemos muitas crianças paraplégicas e tetraplégicas. São aquelas crianças colocadas no banco da frente do veículo ou entre o pai e a mãe na motocicleta, por exemplo. Pior é que elas nem têm culpa'', salienta.
Segundo dados do Siate, citados nos folhetos da campanha, mais de 80% dos acidentes são provocados pelos motoristas, e não por falhas do veículo. A maioria das vítimas é do sexo masculino.

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