UNIVERSITÁRIOS - Pesquisa aponta alto consumo de álcool
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de novembro de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - Uma pesquisa de doutorado do professor de Educação Física, Márcio Teixeira, tem como tema a saúde dos alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Por meio de um questionário, ele avalia itens como atividade física, vida sexual, consumo de drogas, rotina de sono e hábitos de alimentação. A pesquisa ainda está em fase de coleta e, apesar de os dados ainda não estarem tabulados, o professor percebeu uma redução considerável do tabaco, mas ainda vê com preocupação o alto índice de ingestão de bebidas alcoólicas.
Quando Teixeira distribuiu o questionário na última turma, na semana passada, bastou mencionar o campo a ser assinalado de quantas doses de bebida alcoólica eles haviam ingerido, para as risadas começarem. Nos murais da universidade, a maioria dos cartazes de divulgação de festas traz promoções do tipo compre um energético e ganhe uma dose de vodka. "É difícil achar quem não bebe, mas é só saber levar, não ter uma ressaca antes da prova", admitiu uma estudante de Química.
Outro universitário contou que já teve problemas sérios por conta das noites regadas à álcool, mas que tirou o pé para poder concluir o curso. "Nos primeiros anos ainda dava para curtir mais, mas quando o Trabalho de Conclusão de Curso vai chegando, é preciso uma dedicação maior", lembrou. A média de idade dos entrevistados pelo professor é de 18 a 25 anos. "É claro que é difícil tirar o álcool da juventude, porém são necessárias políticas para reduzir este consumo desenfreado", alertou Teixeira, que é professor da Unopar.
Sono
Além da bebida alcoólica, tabaco e drogas ilícitas, outros fatores interferem no desempenho acadêmico, como o estresse, a dificuldade do sono, trabalho, internet e depressão. Aírton Buth, de 19 anos, está no segundo ano de Química e relata dificuldades para manter a rotina de estudos. "É preciso um trabalho psicológico intenso, pois o conteúdo é complexo", contou. Aluna do primeiro ano do curso de Farmácia, Júlia Lorenzetti Frare, de 21, revela que sofre com o estresse e que isso acarreta na dificuldade de sono. "É uma rotina bem puxada que exige muito. Muitas vezes o sono fica comprometido. A alimentação também, mas este problema é amenizado pelo Refeitório Universitário, que oferece dieta balanceada".
Teixeira aponta, no entanto, dados positivos na pesquisa. Segundo ele, a maioria dos entrevistados disse estar no peso ideal, que come porções de frutas e/ou vegetais usualmente, pratica exercícios aeróbicos/cardiorrespiratórios de intensidade moderada por pelo menos 30 minutos duas vezes por semana e exercícios de fortalecimento muscular.
De acordo com Teixeira, a pesquisa iniciada na UEL deve ser ampliada para as universidades estaduais e faculdades particulares. As entrevistas começaram a ser feitas em março deste ano e só terminaram na semana passada. Foram 2,6 mil entrevistados, que representam 20% dos alunos de 43 cursos dos centros acadêmicos de Ciências Exatas, da Saúde, de Agrárias, de Letras e Humanas, de Educação Física e de Tecnologia e Urbanismo.
Teixeira contou que a reitoria pretende usar o conteúdo da tese, que será defendida em março do ano que vem, sob orientação do professor doutor Arli Ramos de Oliveira, para o direcionamento de políticas voltadas à melhoria da saúde dos alunos da universidade.
Ações
A UEL mantém à disposição dos alunos o Serviço de Bem-Estar da Comunidade (Sebec). Segundo a diretora, Andreza Sentoni, uma equipe de Psicologia e Serviço Social faz o atendimento de alunos com problemas de estresse, sono, e outros fatores emocionais. Já o apoio para os dependentes de álcool e drogas é realizado em parceria com o Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Álcool e outras Drogas (Comad). Andreza explica que três psicólogos fazem o acolhimento daqueles que fazem a busca espontânea. Após detectado o diagnóstico, o aluno é encaminhado para um grupo terapêutico ou para atendimento individualizado.
Andreza conta que nos casos de alcoolismo ou envolvimento com drogas, como a busca espontânea é mais rara, também há a comunicação do professor ao colegiado. "Alguns alunos aceitam o tratamento, mas tem aqueles que recusam", contou. "Nós insistimos por três vezes, depois disso, infelizmente, se ainda houver a recusa, o caso é encerrado, pois a pessoa não deseja tratamento", completou. Sem levantamento pronto, ela disse que este tipo de atendimento não é tão frequente, mas não muito esporádico.


