Universitário realiza cirurgia inédita
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quinta-feira, 08 de abril de 1999
Telma Elorza 
Uma operação inédita em Londrina e realizada pela segunda vez no Paraná foi feita ontem, pela manhã, no Hospital Universitário (HU). A operação, denominada Esofagectomia Laparoscópica, foi realizada pelo cirurgião Carlos Eduardo Domene, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e acompanhada através de vídeo por vários médicos de Londrina, Maringá, Cianorte, entre outras cidades.
A Esofagectomia Laparoscópica consiste na retirada total do esôfago do paciente através da laparoscopia, um método menos agressivo que a cirurgia tradicional. Retirar o esôfago pelo método ortodoxo é algo meio delicado porque está localizado em uma região difícil do corpo humano. O esôfago fica ao lado do coração, pulmão, da artéria aorta e da veia cava. No método tradicional é preciso fazer um corte grande que vai do tórax até a barriga e, por ali, retirar o órgão, explica o cirurgião. O paciente é um homem de 47 anos com o esôfago dilatado por causa da Doença de Chagas.
Paulo WolfgangDomene: É preciso ter paciência e calma para lidar com os instrumentosCom o novo método, são feitos apenas cinco furos no abdômen e tórax do paciente e, através deles, são inseridos os instrumentos necessários. Com eles vamos dissecando e liberando o esôfago que é retirado, então, por um corte na altura do pescoço do paciente. Aí fazemos a ligação do estômago - ou o que sobrou dele, porque às vezes temos que retirá-lo também - com uma pequena parte do esôfago que deixamos para isto, diz Domene.
Segundo o cirurgião, a cirurgia desenvolvida na Europa em 1992 traz como principal vantagem a redução no tempo de recuperação do paciente. Em uma operação comum a recuperação se dá entre 10 e 14 dias. Nesta, a recuperação varia entre cinco e sete dias, porque o paciente sente menos dor, explica. Também há uma pequena redução no tempo da operação, em torno de duas horas. Se em uma cirurgia comum levamos em média de seis a oito horas, nesta levamos de quatro a seis horas, porque é preciso ter paciência e calma para lidar com os instrumentos, diz.
Como qualquer outra operação, esta também oferece riscos. São riscos controlados mas existem, observa. De acordo com ele, a operação é indicada para pacientes com câncer, dilatação exagerada ou estreitamento grave do esôfago. Porém, não são todos os casos em que é possível realizá-la. Há casos em que ela não é indicada, como em tumores avançados ou quando já foram feitas outras cirurgias. Há também casos em que nós não conseguimos liberar o esôfago com os instrumentos e temos que abrir. Mas estes não podemos prever, só durante a operação, afirma.
A cirurgia, que teve início às 12 horas, terminou às 15 horas. Segundo o professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Londrina, Antônio Carlos Valezi, correu tudo bem com o paciente, que agora está se recuperando.


