Curitiba O calendário de início das aulas das universidades estaduais do Paraná pode sofrer atraso por conta da decisão da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, de não autorizar a contratação de professores temporários. As instituições pedem a contratação de 1.314 docentes, o que representaria um acréscimo de R$ 10 milhões na folha de pagamento.
O secretário Aldair Rizzi avisou, ontem, que não vai autorizar novas admissões até que seja concluído o levantamento do quadro de professores e da produção científica do sistema estadual de ensino superior. O trabalho quer corrigir eventuais distorções como o pagamento de gratificação por dedicação exclusiva a professores que não cumprem a carga horária mínima.
De acorco com o secretário, a média de professores que recebe Tempo Integral de Dedicação Exclusiva (Tide) nas universidades estaduais é de 65%. A intenção é adequar o quadro das universidades ao ''apertado'' orçamento de R$ 450 milhões. Segundo a pasta de Rizzi, R$ 386 milhões são gastos com pessoal.
A verificação in loco da situação das universidades só começa em março, mês em que a maioria das instituições inicia suas atividades letivas. Rizzi reconhece que as universidades podem enfrentar transtorno, inclusive, de adiamento do calendário, mas a determinação é que usem ''o máximo de seu potencial interno''.
A reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Lygia Pupatto, disse que não tem como iniciar o ano letivo, previsto para 22 de março, sem a contratação de 190 docentes. Ela não confirma, ainda, que haverá atraso no calendário, pois espera resolver o impasse antes do início das aulas.
Lygia informou que está fazendo um relatório para mostrar ao secretário, ao governador Roberto Requião (PMDB) e aos deputados estaduais as necessidades da instituição. Segundo ela, a UEL perdeu, entre janeiro de 2003 a janeiro deste ano, 242 professores por aposentadorias e exonerações. Para repor o quadro, adotou medidas de remanejamento e, com isso, pôde dimensionar suas necessidades já considerando um enxugamento de 24%.
Para justificar que a UEL não se enquadra nas suspeitas de irregularidades apontadas pelo governo, Lygia relatou que a universidade produz 2.579 trabalhos científicos por ano e é uma das instituições em que os professores cumprem, em média, 16 horas/aula.
A pró-reitora de Ensino da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Sônia Lopes Benites, informou que a instituição precisa de 154 docentes temporários. A UEM, no entanto, tem uma prazo mais elástico para resolver a falta de professores, já que as aulas só começam no dia 26 de abril. O atraso no calendário é consequência da última greve.
A situação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) é a mais complicada. As aulas começam no dia 1º de março e a instituição precisa de 181 professores. Segundo o reitor Paulo Roberto Godoy, durante reunião do Conselho Universitário, foram aventadas as possibilidades de aceitar professores aposentados voluntários; usar funcionários da UEPG que tenham qualificação para dar aula e adiar o calendário.

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