Concentrada na aula do professor André Luiz Bortoliero, ontem à tarde, em uma das salas do curso de Medicina, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a jovem índia guarani Valéria Lourenço Jacintho, 26 anos, é o exemplo que de que o Vestibular dos Povos Indígenas do Paraná, realizado pela primeira vez no ano passado, está no rumo certo. ''Queremos resgatar o que se fez, em termos de prejuízos, aos povos indígenas'', afirmou o coordenador pedagógico da Comissão Permanente de Seleção (Copese), Luiz Rogério Oliveira da Silva, que organiza o II Vestibular Indígena, a ser realizado em Londrina.
A segunda edição do processo seletivo, que será realizada nos dias 14, 15 e 16 de fevereiro, está sendo preparada pela Comissão do Concurso Vestibular Interinstitucional Específico Indígena. Estão sendo ofertadas 18 vagas, três em cada uma das seis universidades estaduais. A novidade nesta segunda edição é a inclusão da recém-criada Universidade Estadual do Paraná (Unespar).
As inscrições acontecerão entre os dias 29 e 31 deste mês, nas seis universidades estaduais do Paraná: de Londrina (UEL), Maringá (UEM), Ponta Grossa (UEPG), Jacarezinho (Unespar), Guarapuava (Unicentro), e Cascavel (Unioeste). Os 90 índios que concluíram o ensino médio, no ano passado, estão aptos a participar do concurso, que é gratuito.
Ainda hoje são poucos os índios em universidades brasileiras. Dos 9.394 indígenas do Paraná, até 2002, apenas dois tinham curso superior completo. Nascida na Reserva Indígena de Laranjinha, em Santa Amélia (63 km ao sul de Cornélio Procópio), Valéria tenta romper esta estatística. ''Estudar medicina é difícil, mas não é impossível'', considerou ela. A timidez da índia guarani não esconde sua determinação.
Para inscrever-se no II Vestibular Indígena, de acordo com o coordenador da Copese, o candidato deve apresentar certidão de nascimento, duas fotos 3 x 4, histórico escolar de ensino médio e uma declaração do cacique da área e do chefe do posto da Fundação Nacional do Índio (Funai), de que mora no Paraná há mais de dois anos e tem uma relação com a comunidade indígena. A inscrição gratuita poderá ser feita nas instituições de ensino superior e também nos campi da Unespar em Jacarezinho, Cornélio Procópio, Campo Mourão e Paranaguá.
No primeiro dia do exame, os candidatos farão uma prova oral, com leitura de texto, com característica de entrevista. No segundo dia terão a prova de redação, matemática e língua estrangeira (inglês ou espanhol). E no terceiro dia, prova de biologia, física, química, geografia, história.

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