Universidades estudam índice de reajuste
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terça-feira, 04 de dezembro de 2001
Emerson Dias<br>De Londrina 
Os técnicos administrativos das universidades estaduais apresentam hoje o índice de reajuste solicitado pelos grevistas. Governo do Estado, reitorias, servidores e professores querem saber qual seria o impacto do aumento linear de 50,03%, sobre todos os pisos das duas categorias, nos orçamentos das instituições de ensino.
Metodologias e planilhas sobre o reajuste foram apresentadas ontem, durante uma reunião na reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O encontro também reuniu sindicalistas locais e representantes das universidades estaduais de Maringá (UEM), Ponta Grossa (UEPG) e do Oeste do Paraná (Unioeste). Os grevistas apresentaram tabelas com dezenas de pisos salariais (somente os servidores possuem 20 cargos e funções, divididos em nove níveis, totalizando 180 pisos), sem antecipar qualquer projeção sobre os valores.
A intenção é descobrir quanto dinheiro será necessário para cobrir o reajuste sem prejudicar outros pagamentos e investimentos das instituições. ''O aumento será calculado somente sobre o piso, excluindo gratificações e outros créditos. Precisamos excluir também os cargos comissionados e as funções gratificadas'', explicou o presidente do Sindicato dos Professores de Londrina
(Sindiprol), Cesar Augusto Caggeano Santos, lembrando que o cálculo para os docentes é mais simples, pois o piso é fixado em R$ 767,00.
Para a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde (Sinsaúde), Ana Maria da Cruz, os salários reajustados da categoria não afetariam o orçamento de universidades como a UEL, que recebe anualmente cerca de R$ 150 milhões. ''A folha de pagamento do Hospital Universitário, por exemplo, é de R$ 2,8 milhões mensais. Isso sem excluir os benefícios'', explicou Ana, pouco depois de participar da reunião.
Kenedy Piau, outro representante do Sindiprol, salientou que os cálculos são mais complexos que aparentam e precisam ser apresentados à população detalhadamente. ''A folha de pagamento da UEL chega a R$ 8 milhões mensais, mas somente as funções gratificadas ultrapassam os R$ 400 mil. Precisamos saber com exatidão quanto sairá do caixa do governo'', comentou Piau.
Os técnicos administrativos e representantes dos departamentos jurídicos das reitorias receberam as planilhas e agendaram outra reunião para hoje, às 14 horas. Eles apresentarão previsões orçamentárias com e sem o reajuste, entregando cópias aos participantes do encontro e enviando os resultados a Curitiba. A proposta do reajuste sobre o piso salarial (e não sobre o salário total) foi sugerida pelo reitor da UEL, Pedro Gordan. Antes de apresentá-las, o governo do Estado havia recusado qualquer reajuste proposto pelos grevistas, argumentando falta de dinheiro nos cofres públicos e restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Ao contrário do governo, que sugeriu o envio da proposta para a Assembléia Legislativa somente em fevereiro do ano que vem, os sindicalistas querem que os deputados avaliem os cálculos antes do próximo dia 15, data em que o legislativo entrará em recesso. Enquanto isso, a greve permanece, totalizando 76 dias.


