O comando de greve das universidades estaduais criticou ontem a desvalorização do salário dos servidores, considerado pelos sindicatos o mais baixo do País. Enquanto os funcionários da Universidade Federal do Paraná conseguiram um acordo aumentando o piso salarial dos servidores para R$ 480,00, o salário inicial da Universidade Estadual de Londrina, por exemplo, é de R$ 184,00.

A informação foi divulgada ontem, em Curitiba, pelos representantes da UEL e também das universidades de Maringá (UEM), Ponta Grossa (UEPG) e de Cascavel (Unioeste), durante um encontro na Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Públicas (Apiesp). Servidores e docentes pediram aos reitores associados para que a entidade auxilie os manifestantes a dialogar com o governo do Estado.

''Não queremos que eles negociem, mas que ajudem a abrir canais de negociação'', disse o representante do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), Kennedy Piau, lembrando que o grupo encontrou o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrafting, durante uma conversa informal. ''Ele disse que o governo admite apenas a correção das distorções nos pisos salariais. O aumento não seria linear'', comentou Piau. A Folha tentou falar com Wahrfting, mas foi informada pela assessoria que ''o secretário não está dando entrevistas sobre o assunto''.

O representante do Sindiprol disse ainda que a diferença entre os pisos salariais federal e estadual pode provocar uma ''grande migração'' de profissionais. ''Nossos salários são os mais baixos do Brasil. Com a previsão de 2 mil novas vagas nas instituições federais para o ano que vem, a qualidade do ensino no Estado tende a cair'', lamentou.

Os sindicatos devem organizar assembléias locais esta manhã, antes de participarem da reunião geral do comando, agendada para as 15 horas em Maringá. Os grevistas devem apresentar os resultados da viagem a Curitiba, discutir a decisão do Tribunal de Justiça (que aumentou de R$ 1,5 mil para R$ 15 mil a multa diária aos sindicatos) e ainda unificar a planilha que prevê o impacto de um possível reajuste de 50% sobre todos os pisos salariais. Os levantamentos foram feitos por técnico-administrativos em conjunto com sindicalistas, durante um encontro realizado em Londrina no início da semana. A paralisação, que totaliza hoje 82 dias, continua por tempo indeterminado.

O governador Jaime Lerner pretende discutir as alterações no plano de cargos e salários somente em fevereiro, quando a Assembléia Legislativa retornará do recesso.

mockup