Servidores de universidades estaduais realizaram ontem uma mobilização exigindo que as negociações pela reposição salarial junto ao governo do Estado comecem ainda este mês. Em Londrina, perto de 200 pessoas ligadas à Universidade Estadual (UEL) paralisaram parte das atividades. O protesto começou às 9 horas, na Praça Primeiro de Maio (centro), onde representantes de diversos setores se reuniram com faixas e cartazes pedindo reajuste de 62%.
''Temos perdas salariais registradas desde 1997, tanto que o piso dos servidores da UEL é de R$ 276,00. Este protesto é um alerta ao governo para que evite uma greve como a última que tivemos'', disse o presidente da Associação dos Servidores Técnico-Administrativos da UEL, Itamar André Rodrigues do Nascimento, referindo-se à paralisação de 169 dias (iniciada em setembro de 2001). A manifestação seguiu pelo Calçadão, onde os servidores distribuíram panfletos para os londrinenses. Segundo os sindicalistas, uma nova manifestação deve ocorrer até o final do ano.
Apesar das aulas e do atendimento ter funcionado normalmente no campus, setores como a creche e o Restaurante Universitário (RU) não funcionaram ontem. Além da reposição salarial, os servidores querem que outros assuntos da pauta de reivindicações (regulamentação da carreira dos servidores, retirada de ações judiciais, contratação de novos profissionais, entre outras) sejam discutidas junto à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
''Esta é apenas uma ação da campanha salarial para lembrar que temos mais de 80 postos de trabalho que precisam ser ocupados. A secretaria informou que 87 funcionários foram contratados, mas não explicou que o contrato vence em dois anos. Até lá, pode chegar a 200 o número de vagas a serem repostas'', estimou Ana Maria da Cruz, que representa os funcionários do setor de saúde que trabalham nos hospitais Universitário (HU) e de Clínicas (HC).
A contratação temporária foi divulgada anteontem pelo próprio secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, em Londrina. Ele afirmou que o Estado ''assumiu uma folha de pagamento que subiu de R$ 240 milhões (no ano passado) para R$ 300 milhões este ano''.
Contactado ontem, Rizzi disse por meio da assessoria de comunicação que a secretaria ''continua aberta a diálogos com as categorias (já foram seis reuniões este ano), mas que não há uma agenda de reuniões fechada para os próximos dias''.
Em todos os campi da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) os servidores participaram de assembléias para discutir a campanha salarial. Segundo a presidente do Sindicato do Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Superior do Oeste do Paraná (Sinteoeste), Fátima Villas Boas, mais de 50% dos professores e funcionários particiaparam das assembléias. Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), também houve protesto. A Biblioteca Central e o RU fecharam as portas. Já nas universidades do Centro-Oeste (Unicentro), em Guarapuava, e de Ponta Grossa (UEPG) não houve manifestações. (Colaborou Camilla Rigi e Lucinéia Parra)

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