Servidores e professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) deflagraram greve na instituição ontem, por tempo indeterminado. Funcionários fizeram assembléia de manhã e votaram pelo início da paralisação. Em seguida, centenas saíram em passeata pelo campus e entraram em diversas salas de departamentos, buscando a adesão total de servidores que ainda estavam trabalhando. O comando calcula que a greve tenha atingido 90% da categoria.

Para garantir a legalidade do movimento, servidores estarão se revezando para que haja funcionamento dos serviços essenciais, como os de telefonistas, hospital veterinário e vigilância. A principal reivindicação é a reposição salarial de 50,03% - como pedem todos os servidores estaduais.

Com faixas e promovendo um apitaço, o arrastão dos servidores pela manhã passou primeiro no prédio da reitoria. Algumas pessoas, mesmo bastante pressionadas, preferiram não deixar o local de trabalho e foram muito criticadas. ''Não querem aderir porque têm funções gratificadas e ganham bem'', afirmou, bronqueado, um funcionário. O coordenador da Coordenadoria de Assuntos de Ensino de Graduação (CAE), Luiz Carlos Bruschi, foi obrigado a sair da sala e não gostou. ''Não faço parte da mesma categoria dos funcionários e não concordo com a atitude'', reclamou.

O reitor Pedro Gordan, que durante a entrada do grupo grevista no prédio não foi encontrado, disse logo depois à Folha que desaprovou a atitude dos funcionários. Ele considera as reivindicações justas, mas avaliou como ''radical'' a invasão da reitoria. Gordan entendeu que foi ''colocado à prova'' pelo movimento. Com relação à reposição salarial, o reitor disse que se preocupa especialmente com os funcionários que ganham até dois salários mínimos.

Os estudantes da UEL não assistiram aulas ontem, mas foram ao campus apoiar os professores, que também paralisaram as atividades. Segundo Jozimar Paes de Almeida, docente do Departamento de História, a pauta de reivindicações inclui o reajuste salarial e outros benefícios. O estudante de jornalismo Fernando Hirata, 22 anos, afirmou que a greve sempre prejudica o aluno, ''mas diante da posição do governo, no momento não há outra alternativa''. LEIA MAIS SOBRE A GREVE NA PÁGINA 2

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