Milton DóriaDebatesFórum de Reitores se encerra hoje: participam professores do Brasil e de outros países sul-americanosA ‘‘harmonização curricular’’ foi discutida no painel de abertura do 23º Fórum da Associação Brasileira de Reitores de Universidades Estaduais e Municipais (Abruem). Este ano o tema geral do evento foi a integração das universidades do Mercosul. O encontro acontece no auditório do hotel Sumatra (área central de Londrina) e teve abertura solene na última terça-feira, com apresentação da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel). O encerramento, hoje no começo da noite, será marcado pela criação de um conselho que congregue as instituições universitárias e municipais do Mercosul.
O Fórum da Abruem prossegue hoje com o painel ‘‘A presença da universidade no processo de integração do Mercosul’’, que terá como moderador o reitor da Universidade Estadual de Minas Gerais, Aluísio Pimenta. No final do encontro, será discutido e criado um conselho que congregue as instituições universitárias estaduais e municipais do Mercosul.
Para discutir a integração das universidades do Mercosul, o Fórum da Abruem - entidade que é presidida pelo reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Jackson Proença Testa - trouxe para Londrina professores do Brasil, Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai. O presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Club), José Carlos Almeida, também reitor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) da Bahia, observou que essa discussão a partir de agora tende a crescer mais. No Brasil, ele aponta, a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB), ano passado, foi um passo importante no sentido da integração, principalmente curricular - tema do primeiro painel. As escolas têm até o final de 98 para se adaptarem à nova lei (número 9.394, de dezembro de 96).
‘‘Essa lei extingue a idéia de ‘currículo mínino’ nos cursos, que é substituída pelas ‘diretrizes curriculares’’, explica Almeida. Os currículos mínimos definiam disciplinas e cargas horárias específicas que deveriam constar em cada um dos cursos, em qualquer escola. Para o presidente do Club, isso faz com que a universidade não fique ‘‘engessada’’, ou seja, não consiga adaptar o próprio currículo às particularidades de cada região.
Já as ‘‘diretrizes curriculares’’, ao contrário, apontam apenas as áreas que devem ser exploradas com maior rigor em cada curso, não exigindo disciplinas específicas. Essa flexibilidade, como define Almeida, será fundamental principalmente na hora em que um aluno ou professor de país do Mercosul vier para o Brasil: o currículo externo será mais facilmente adaptado à nova realidade das universidades brasileiras. ‘‘Agora, do jeito que está, nós temos dificuldades em absorver as experiências deles e também não podemos passar a nossa experiência.’
O presidente do Club não tem dados sobre como essa discussão caminha nos outros países da América do Sul mas não tem dúvidas de que, a partir de encontros como o de Londrina e de outros que estão sendo realizados no País, a integração passe a ser uma realidade mais próxima.
‘‘A internacionalização será cada vez mais forte, com intercâmbios, troca de experiências. E a universidade é o espaço para divulgação e produção do conhecimento. No Terceiro Milênio, o conhecimento como fator de produção será fundamental.’
Enquanto o terreno para a integração está sendo preparado, os maiores desafios no momento são a superação das dificuldades já existentes. Uma delas é a própria questão da língua: em muitas escolas brasileiras, o francês está sendo substituído no vestibular pelo espanhol, língua falada em praticamente todos os países do Mercosul.
Outro problema é a revalidação de diplomas entre países diferentes. Hoje, para um profissional estrangeiro poder atuar no Brasil, ele terá que montar um extenso processo, provando que o ‘‘currículo mínimo’’ exigido no País foi também cumprido na universidade de origem. Quando isso não acontece - o que não é raro -, a pessoa pode até ter que cumprir novos créditos para validar seu diploma.
Mas a principal dificuldade é mesmo a falta de recursos. ‘‘Se não houvesse um limite financeiro, a produção de uma universidade seria ampla, sem limites’’ observa José Carlos Almeida. Por isso, ele aponta, o caráter indissolúvel de ensino-pesquisa-extensão - princípio básico de uma universidade - está sempre ameaçado dentro do ensino superior. ‘‘A questão financeira até agora não conseguiu ser equacionada. E se a gente está discutindo qualidade, precisamos analisar formas de financiamento.’

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