Mauro FrassonNorma Zandoná, chefe do departamento de Psicologia da UFPREspecial para a Folha
Nas universidades públicas brasileiras, os estudantes se queixam do descaso do governo e da falta de estrutura para o aprendizado. Nas universidades particulares, que geralmente dispõem de mais equipamentos, falta incentivo à pesquisa científica e aos cursos de extensão. Para discutir esses e outros problemas, bem como o futuro do ensino superior no Brasil, reitores de várias universidades públicas e particulares de todo o País estão em Curitiba, no XII Seminário Nacional das Universidades Brasileiras.
O evento, que prossegue durante toda semana, é promovido pela Universidade Tuiuti do Paraná. ‘‘Durante o seminário, estaremos tratando de questões que vão assegurar uma universidade de qualidade para o próximo século e milênio’’, afirma o reitor da Tuiuti, Sydnei Lima Santos. O objetivo, segundo ele, é atingir o nível internacional de conhecimento, pesquisa e produção científica.
A falta de estímulo à pesquisa científica é um dos maiores problemas das faculdades particulares. ‘‘Eu percebo que nas faculdades públicas há maior incentivo à pesquisa,’’ diz o estudante André Miquilussi, do quarto ano de Odontologia. Para ele, mesmo com algumas carências, a universidade cumpre seu papel de formar profissionais, ‘‘o que 99% dos alunos pretende’’, completa. Estudante do curso de Fisioterapia, Susane Biersteker afirma que, mesmo com essas deficiências, prefere o ensino particular.
As dificuldades econômicas pelas quais as universidades públicas estão passando comprometem, segundo alunos e professores, a qualidade do ensino oferecido. Para Carlos Eduardo Abdo Gaio, estudante de Direito e um dos diretores do Centro Acadêmico Hugo Simas, há ‘‘falta de verbas, descaso e falta de uma política específica para o ensino superior’’. A falta de investimentos também causa desmotivação por parte dos professores. ‘‘Estamos sofrendo cortes de verbas maiores a cada ano e os professores são obrigados a buscar outras fontes de renda’’, afirma Norma da Luz Ferrarini Zandoná, chefe do departamento de Psicologia da UFPR.

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