Universidade vai intensificar pesquisas de qualidade do ar
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sexta-feira, 12 de agosto de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Pesquisadores do Departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL) esperam poder atenuar, ao menos na cidade, o atraso em que se encontra o País em relação ao estudo de poluentes na atmosfera. Ontem pela manhã foi assinado o convênio que garante a ampliação de um laboratório da UEL e que permitirá aos pesquisadores analisar a qualidade do ar em Londrina sob parâmetros definidos na legislação nacional.
''Estamos pelo menos uns 25 anos atrasados nas pesquisas se comparados a países europeus. Tanto que estamos trazendo equipamentos doados por pesquisadores alemães, que já passaram dessa fase de estudos'', afirmou a coordenadora do programa de Mestrado em Química dos Recursos Naturais da UEL, Maria Cristina Solci. Ela é a única docente a integrar o Projeto de Avaliação dos Recursos Atmosféricos de Londrina, que conta com 10 alunos.
Com parcos recursos humanos, financeiros e técnicos, o grupo já pôde constatar em Londrina a presença de agentes cancerígenos no ar e até de chuva ácida, como adiantou ontem na Folha o secretário de Estado de Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida. A medição de qualidade do ar ficou concentrada no Terminal Urbano, onde, segundo Maria Cristina, foram encontrados os mesmos componentes existentes no cigarro. Só com o novo laboratório, cuja obra deve ser concluída em fevereiro, os pesquisadores poderão medir também a poluição provocada por indústrias.
Maria Cristina explicou que a liberação de poluentes ocorre na queima de matéria, seja no setor produtivo, nas emissões veiculares ou mesmo em simples queimadas em terrenos particulares. São estes os agentes que devem entrar na mira dos órgãos competentes. ''Nossa função não é fazer o controle da poluição, mas poderemos trabalhar com o gestor (público)'', observou. Cheida informou que está formando um grupo executivo, junto a órgãos como o Detran e a Polícia Florestal, para atuar no combate à emissão de poluentes.
Combate que já poderia estar sendo feito há muito tempo, se a lei fosse mais clara e se órgãos fiscalizadores dispusessem de recursos técnicos. O comandante da 2 Companhia da Polícia Rodoviária (com sede em Londrina), Sérgio Dalben, lembra que desde 1998 a legislação de trânsito prevê multa e até recolhimento de veículos com alto potencial poluidor, mas que não há critérios objetivos para se reconhecer a infração.
''Precisaríamos de um aparelho que pudesse medir a poluição, assim como o radar mede a velocidade. Mas além de não dispormos desse equipamento, a lei não determina quais os níveis de poluição aceitáveis'', lamenta.


