A Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) acaba de lançar um programa de extensão universitária que pretende estreitar os laços entre as universidades públicas e o cotidiano dos paranaenses. Em visita à FOLHA na última quarta-feira, a secretária Lygia Pupatto explicou que o Universidade Sem Fronteiras é uma forma de formalizar o compromisso das instituições de ensino superior (IES) com o desenvolvimento regional.
Lygia definiu a iniciativa como o maior projeto de extensão universitária do Brasil, em termos de abrangência e de financiamento. ''São recursos de R$ 10 milhões, do orçamento da Seti.'' Segundo a secretária o edital previu a participação de 168 projetos, mas foram recebidas 300 propostas, ''todas de extrema qualidade''. Ao final foram aprovados 164 projetos, que contemplam prioritariamente os municípios com Índice de Desenvolvimento Humamo (IDH) insatisfatório e as áreas periféricas das cidades paranaenses.
As universidades públicas paranaenses somam 85.400 alunos, e a iniciativa, de acordo com Lygia, pretende mudar um quadro preocupante. ''Esta é uma forma de fazermos algo para mudar esta triste realidade, em que cada vez mais jovens se envolvem com o crime. Está faltando seguir o exercício da cidadania. Tenho certeza que o Universidade Sem Fronteiras vai contribuir para uma formação sólida dos nossos alunos'', argumentou.
O programa é dividido em quatro subprogramas. Um deles é de Apoio à Pecuária Leiteira, que prevê a construção de laboratórios regionais nas universidades para dar subsídios aos pequenos produtores de leite, com o objetivo de melhorar a produtividade e a qualidade, sempre focado na pequena propriedade.
Outro subprograma é o denominado Incubadora dos Direitos Sociais. Segundo a secretária este subprograma é uma forma da universidade entrar como parceira de várias instituições que já estão trabalhando no combate ao trabalho infantil e à violência contra as mulheres, no estímulo às cooperativas dos catadores de lixo e às penas alternativas, por exemplo. ''A universidade é privilegiada e pode ajudar muito porque tem profissionais de todas as áreas'', lembrou.
Para melhorar a qualidade do ensino básico foi criado o subprograma Apoio às Licenciaturas. ''A universidade tem muito a ver com a melhoria do ensino básico público. Nós é que formamos os professores, então temos que nos aproximar das escolas para conhecer as suas realidades e podermos repensar os conteúdos ministrados junto aos futuros professores'', disse a secretária. O programa será desenvolvido em parceria com a Secretaria de Educação do Estado. ''Nossa intenção é ajudar. Ninguém tem a prepotência de achar que vai chegar e resolver tudo.''
Por fim, a Seti criou o subprograma de Apoio à Agricultura Familiar, que vai promover a inserção dos profissionais recém-formados e estudantes de graduação em projetos que ofereçam alternativas de produção aos pequenos produtores, responsáveis por quase 90% das propriedades do Paraná, segundo Lygia. ''Temos que dar alternativas de renda a estes produtores, ajudar nos problemas de gestão, estimular a venda de seus produtos'', disse. O subprograma, segundo ela, vai transferir tecnologia ''para aquelas que precisam da mão do Estado.''

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