Universidade reúne experiência de pensadores, escritores e até atores
Durante os seis dias que passam em Faxinal do Céu, os professores têm atividades em tempo integral, inclusive à noite. Participam de um fórum permanente de debates, ouvindo e trocando idéias com nomes importantes da intelectualidade brasileira.
Alguns moram temporariamente em Faxinal do Céu, como o memorialista Antônio Carlos Vilaça e o filósofo Cláudio Ulpiano.
Outros deslocam-se para lá sistematicamente. É o caso de Gerd Bornheim, professor de Filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Paulo Venturelli, escritor e professor da Universidade Federal do Paraná.
Também são convidados nomes como o poeta e diretor da Biblioteca Nacional Affonso Romano de SantAnna; os atores Paulo Autran e Fernanda Montenegro e o jornalista Villas Boas Correa. A atriz Natália Timberg e o maestro Paulo Torres vão a Faxinal toda semana. Todos contribuem para fazer da experiência da Universidade do Professor um aprendizado permanente.
O seminário é fundamental para o professor, afirma o professor Gerd Bornheim, considerado um dos mais importantes pensadores brasileiros. Segundo ele, um dos méritos do seminário - que vai da história à filosofia, passando pela literatura e as artes - é o impacto que causa, um certo choque cultural.
Além disso, afirma, há um apelo muito grande no sentido da atualização. Discutem-se temas que estão aí, vivos, e os professores têm acesso a eles.
Bornheim destaca que o fundamental não é tanto a transmissão de conhecimentos, mas um estado quase de alerta, que abre uma porta de interesse.
Para o ele, incentivar a criatividade é imprescindível na educação - e o seminário funciona como um ponto de partida para professores acostumados a uma preparação engessada: Peço aos meus alunos um comentário e todos fazem um resumo. Eles vêm literalmente viciados em fazer resumo de livro, resumo de ensaio. Essa acabou sendo uma maneira meio mecânica de trabalhar, que em última análise torna o aluno passivo.
Nos seminários de Faxinal, diz Bornheim, abre-se um caminhão que não é fechado, mas aberto como deve ser todo caminho que pretende estimular o desenvolvimento da criatividade, da iniciativa e do espírito crítico. Um conjunto de fatores que está revolucionando a educação do presente e, sem dúvida, terá influências sobre o nível do ensino do futuro no Paraná.





