Curitiba - A diferença entre as realidades é grande e não dá para ignorar. De um lado, uma das comunidades de baixa renda mais conhecidas de Curitiba, a Vila Torres. De outro, a Pontifícia Universidade Católica (PUC), uma das maiores universidades privadas da Capital. Mesmo tão diferentes, estas duas realidades são separadas apenas por um muro e tanto moradores como estudantes sofrem com o mesmo problema: falta de segurança.
No começo do ano, a PUC implementou um amplo sistema de segurança no campus localizado no Rebouças. Foram instaladas câmeras de vídeo, restrição do acesso ao estacionamento e o isolamento das janelas dos blocos mais próximos à Vila Torres. São grandes barras de proteção nas janelas, parecidas com concreto e, que de acordo com Pedro Lacava, diretor de serviços compartilhados da Associação Paranaense de Cultura (APC), mantenedora da PUC, representam uma medida preventiva, principalmente em relação às pedras que eram arremessadas. ''Tivemos alguns incidentes com pedras há algum tempo, mas não registramos casos de projéteis.''
Para Daniela Rossi, que trabalha há três anos no bloco de mecânica, onde as barras de proteção estão na maior parte do prédio, a medida favorece o clima de segurança dentro da universidade. ''Com certeza é muito mais seguro. Antes a janela tinha marcas de bala de fora a fora. Ainda assim acredito que existam medidas mais bonitas e mais práticas para resolvermos o problema'', afirma.
Rosa Piovezan, responsável pela administração do bloco, conta que balas já entraram em uma sala cheia de alunos. Mas ela acredita que, mesmo com mais segurança, a instalação causou um certo desconforto para quem frequenta o local. ''A medida nos deu segurança, mas perdemos iluminação, ventilação e temos a sensação de que estamos trancados.''
Do lado de onde vêm as pedras, a comunidade também sofre com o mesmo problema, mas não tem tantos recursos para se defender. ''As famílias tentam se proteger da maneira que podem. A gente procurar cuidar da casa, fazer um muro alto, não se expor muito, mas as condições das pessoas da comunidade em relação à PUC é muito pequena'', afirma a presidente do Clube de Mães da Vila Torres, Irenilda Arruda.
Ela mora bem perto do muro que separa a vila da universidade e acredita que as medidas de proteção implementadas pela PUC não são uma forma de preconceito e discriminação. ''Eu não sou contra ao que a PUC fez. Eles têm que pensar nas pessoas que estão lá dentro, que são pessoas como nó e o risco da bala perdida é grande.''
Mas a opinião de Irenilda não é unanimidade entre os moradores. Ela, que tem contato com muitas pessoas da vila, conta que alguns se sentiram discriminados. ''Eles pensam que é preconceito, que a PUC não quer ficar perto de pobre, da favela feia, não querem se misturar com as pessoas daqui.''

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