Umuarama - Um programa da Universidade Paranaense (Unipar) está ajudando os carroceiros de Umuarama a cuidar melhor dos cavalos. O Hospital Veterinário (HV) da universidade atende de graça todos os equinos usados por trabalhadores urbanos ou rurais de baixa renda como meio de transporte ou em veículos de tração animal. Como a maioria dos carroceiros não tem condições de pagar veterinário, era comum circularem pela cidade com cavalos magros, doentes, feridos ou cheio de parasitas. ''Agora só não cuida do animal quem não quer porque a gente ganha até os remédios'', disse José Alves de Lima, 45 anos.
Lima é um dos quase 350 carroceiros de Umuarama que sobrevivem fazendo fretes ou recolhendo material reciclável. Ele e a mulher, Aparecida Maria Batista, 62 anos, catam papelão e conseguem pouco mais de um salário mínimo por mês. O trabalho do cavalo Cigano, de 10 anos, garante o ganha-pão da família. ''Dá pra gente comer, mas não sobra para cuidar do cavalo. Antes, a gente só levava ele no veterinário se fosse doença grave. Agora, sempre que ele tem qualquer coisinha a gente leva no Hospital Veterinário'', conta Lima.
Na última consulta, por exemplo, os estagiários serraram os dentes do cavalo porque estavam pontuagudos demais, o que dificultava a alimentação e acabava enfraquecendo o animal. Cigano, que já havia sido tratado de uma pneumonia, também fez exames de sangue e fezes. O atendimento não sairia por menos de R$ 200 numa clínica particular.
Segundo o veterinário Luiz Rômulo Alberton, professor de clínica de grandes animais, a maioria dos cavalos chega com problemas de pele, deformações e infecções nos cascos, verminoses ou traumatismos. ''São problemas simples, mas que prejudicam o desempenho do animal e podem levá-lo à morte se não forem tratados'', explicou.
Os animais também apresentam muitos problemas nos dentes, o que pode levar a universidade a criar um projeto específico para estudar e tratar problemas odontológicos em grandes animais. ''Estamos analisando esta possibilidade'', adiantou o professor. Por fim, os carroceiros que procuram o atendimento gratuito da Unipar ainda recebem muitas dicas sobre como alimentar e cuidar da saúde dos bichos.
O atendimento gratuito é feito todas as quintas-feiras de manhã. Segundo Alberton, o hospital tem condições de atender a todos os carroceiros, mas a procura ainda é pequena, porque o hospital fica a mais de 10 quilômetros do centro da cidade e porque alguns carroceiros desconhecem o serviço. Normalmente, sete a 10 animais são atendidos toda semana.
Enquanto os 58 alunos do quarto ano de medicina veterinária fazem aulas práticas, os animais dos carroceiros ganham consultas, exames, raios-x, atendimentos ambulatoriais e até cirurgias. Nada é cobrado. Na medida do possível, o hospital também doa os medicamentos. Desde que o projeto começou, em 1999, mais de 250 animais já receberam atendimento gratuito no hospital. Também já foram feitas quase 60 cirurgias dentro do projeto. Considerado um dos maiores e mais modernos da América latina, o hospital veterinário da Unipar atende uma média de dois mil animais por ano.

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