Dorico da SilvaAuxílioO coordenador de Pesquisa e Pós-Graduação da UEL, Raúl Jorge Hernan Castro-Goméz: histórico escolar do estudante é o critério para seleção de bolsasUma pergunta simples, mas fundamental, não teve resposta em um dos maiores centros de ensino e pesquisa do Paraná. A Universidade Estadual de Londrina não tem um perfil de seus alunos. A administração da UEL não soube informar qual a situação sócio-econômica dos estudantes. ‘‘Temos dados apenas dos vestibulandos. O único levantamento que temos dos alunos matriculados é a procedência’’, informou o diretor da Comissão Permanente de Seleção (Copese), Reynaldo Ramon.
A Coordenadoria de Assuntos de Ensino de Graduação (CAE) afirma que até cerca de cinco anos atrás era feito o levantamento dos dados de alunos. ‘‘Ultimamente esses estudos não têm sido feitos’’, admitiu o coordenador interino da CAE, Ézio Dolce.
Na opinião do professor da área biológica da UEL, Luiz Carlos Bruschi, que foi coordenador da CAE no período de 1990 a 92, o perfil do aluno é um dos principais instrumentos da administração universitária. ‘‘Como atender nossos objetivos se não sabemos com quem trabalhamos?’’
O último levantamento sócio-econômico dos alunos da UEL foi feito durante a coordenação de Bruschi, em 1992. ‘‘Esse trabalho precisava ter continuidade.’’
Mesmo sem dados precisos, a Universidade reconhece que muitos alunos passam por dificuldades financeiras. E oferece alternativas: são as bolsas de estudo para participação em projetos científicos. A UEL tem atualmente cerca de 700 alunos que recebem bolsa auxílio.
O valores variam entre R$ 28,00 e R$ 241,51. As seleções para participação são feitas todos os anos. Segundo o coordenador de Extensão à Comunidade, Oswaldo Calzavara, os valores são proporcionais à quantidade de horas de atuação no projeto. No caso dos projetos de extensão, que são financiados pela UEL, quem dedica-se por 20 horas por semana recebe R$ 70,00 - que é o valor máximo pago com recursos da Universidade.
As bolsas de pesquisa já oferecem valores um pouco maiores, devido a convênios com o Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico (CNPq), e do Programa Especial de Treinamento da Capes (PET). São bolsas de R$ 241,51. O diretor de pesquisa da Coordenadoria de Pesquisa e Pós-Graduação (CPG) da UEL, Raúl Jorge Hernan Castro-Goméz, explica: ‘‘O principal requisito para participar das bolsas de pesquisa é o histórico escolar’’. Existem ainda bolsas para participação em projetos de ensino e monitorias. Todas têm seleção anual.
O aluno de Jornalismo André Merli Ribeiro, 22 anos, encontrou uma forma de integrar estudo e trabalho. Ele veio de São José do Rio Pardo (SP). ‘‘Preciso trabalhar. Tenho gastos como xérox e livros que acabam extrapolando o dinheiro que recebo dos meus tios.’’
André se interessou pelo Projeto de Educação de Assalariado Rural Temporário (Peart). Ele recebe R$ 35,00 por mês - são 10 horas semanais de dedicação ao projeto - e mora na Casa do Estudante da UEL. ‘‘Se não morasse na Casa e não tivesse essa bolsa de estudo, teria que voltar para São José.’’
(Josiane Schulz)

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