Universidade faz plebiscito hoje em meio a polêmica
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quinta-feira, 13 de novembro de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Paulo WolfgangVotação acadêmicaO professor Milton Faccione, da comissão do plebiscito: Não acreditamos na possibilidade de fraude O plebiscito que vai decidir se haverá ou não reeleição para a Reitoria e as diretorias da Universidade Estadual de Londrina (UEL) acontece hoje com muita polêmica entre a comunidade acadêmica. Entidades têm opiniões divergentes sobre a maneira como se deu o processo. O plebiscito foi aprovado em reunião na segunda-feira para ser realizado três dias depois.
Ontem, um manifesto conjunto entre a Associação dos Docentes da UEL (Aduel), Sindicato da Saúde, Sindiprol e Diretório Central dos Estudantes (DCE) considerou que o plebiscito, da maneira como foi colocado, não é democrático porque não acontece amparado de ampla discussão. O mesmo manifesto levanta várias questões, que ainda não foram respondidas pela UEL, como por exemplo sobre qual seria o prazo de desincompatibilização dos cargos de reitor e diretores de centro.
O DCE também está divulgando um manifesto próprio, intitulado Diga não neste plebiscito. José Otávio Ereno, diretor da entidade, esclarece que a categoria não é contra o plebiscito ou mesmo contra a tese da reeleição, mas contra a maneira como o processo foi conduzido. É uma atitude oportunista mudar o estatuto neste momento, diz o estudante. Segundo Ereno, não houve discussão suficiente para preparar a comunidade acadêmica para o plebiscito.
Um grupo de funcionários do Centro de Ciências Biológicas (CCB) também não gostou da forma como se deu o processo e resolveu redigir uma nota de repúdio, que será distribuída hoje no campus. Como alguém pode votar sim ou não sem saber direito quais as consequências de termos um processo de reeleição?, diz o documento.
A Associação dos Servidores da UEL (Assuel) e a Associação do Pessoal da UEL (Apuel), por sua vez, defenderam o sim à reeleição do reitor e dos diretores. Manifesto publicado pela entidade diz: Plebiscito não é casuísmo, mas uma forma democrática de se ouvir a comunidade universitária. O documento, distribuído no campus, também afirma: A aprovação da reeleição não quer dizer recondução automática para os atuais ocupantes de cargos executivos. Estes teriam que concorrer novamente, com os demais candidatos que certamente irão surgir.
Para o reitor da UEL, Jackson Proença Testa, o tempo para fazer o plebiscito não foi curto: A comunidade já vem discutindo a tese da reeleição há muito tempo. Ele considera que o colegiado eleitoral da UEL é bastante politizado, e não acredita que seria adequado realizar o plebiscito só no próximo ano, na mesma época da discussão do regimento eleitoral.
O plebiscito será realizado hoje, das 8 às 22 horas, exceto no Hospital Universitário, onde começa às 6 horas da manhã; e no campus de Colorado, em que termina às 20 horas. Os 16.223 professores, alunos e funcionários da universidade deverão responder a uma questão simples: Você é favorável à reeleição em todos os níveis na UEL?. Ao todo, serão distribuídas 63 urnas.
A apuração dos votos acontece ainda hoje, no Centro de Educação Física (CEF) da UEL, logo após o término da votação. A expectativa é que o resultado da eleição só saia na madrugada de amanhã. Para votar, a pessoa deverá apresentar um documento de identificação.
O diretor do Centro de Ciências Exatas (CCE) da UEL, Milton Faccione, um dos membros da comissão que trata da reeleição, observou que embora não tenha tido muito tempo para preparar a eleição, não devem ocorrer grandes problemas. Estamos trabalhando em tempo integral desde a reunião do Conselho Universitário, na segunda-feira.
Faccione aponta que não haverá um esquema especial para fiscalizar a eleição. O único cuidado será reservar um espaço de 10 metros entre a boca de urna e o ponto de votação. Não acreditamos na possibilidade de fraude. Mas quem quiser fiscalizar poderá fazê-lo.


