A falta de uma fonte de custeio definida e a universalização da saúde - com a criação do SUS - é, para o diretor-presidente do Instituto do Câncer de Londrina, Nuno Ballalai, a principal causa da situação atual da saúde pública brasileira. ‘‘Hoje, tudo tem que sair do orçamento do Ministério da Saúde. O próprio CPMF não seria uma fonte definida: o valor arrecadado é dissolvido em todo o orçamento do ministério’’.
Além disso, continua ele, algumas campanhas promovidas atualmente são inviáveis para qualquer hospital. Este ano, por exemplo, por causa do ‘‘ano do idoso’’, o governo baixou uma portaria dizendo que toda pessoa com mais de 65 anos tem direito a um acompanhante nas internações. Para isso, paga R$ 2,65 ao hospital como diária do acompanhante. ‘‘Não dá para pagar nem um lanche’’, argumenta.
Outro dado, apontado por Ballalai: apesar dos valores escassos repassados mensalmente, o SUS exige que as instituições tenham equipamentos sofisticados e profissionais capacitados. E os próprios hospitais mantêm, em geral, uma auto-exigência muito grande, com um piso mínimo na qualidade do atendimento. Ou seja, cortar custos tem limite. ‘‘Por isso o gerenciamento é complicado.’’
Ballalai acredita que a solução para os problemas da saúde apontam pelo menos para um caminho: encontrar uma fonte viável de custeio, que pague a produção e não deixe o orçamento engessado. Outra questão: reformular de fato a tabela do SUS, dando uma injeção de ânimo na saúde dos hospitais. (L.H.)

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