Marcos Zanatta
De Maringá
A Igreja Universal do Reino de Deus inaugura hoje o templo montado no antigo Cine Maringá, comprado na semana passada por R$ 1,05 milhão. Pastores e bispos de várias cidades do Paraná e de São Paulo estarão presentes e o assessor de comunicação da Igreja em Maringá, Alcides Dias Pereira, disse que são esperados 2 mil fiéis e convidados.
‘‘Não estamos nem divulgando muito a inauguração porque não cabe muita gente dentro da igreja’’, disse ontem à Folha. Pereira confirmou também que a Universal está mudando todo o prédio do antigo cinema. ‘‘Pintamos a fachada e estamos colocando a placa da igreja na frente.’’
Na semana passada a Câmara de Vereadores retirou de pauta projeto de tombamento do prédio onde funcionava o Cine Maringá. Aprovado por maioria de votos em primeira discussão, o projeto saiu por causa da venda do prédio.
‘‘A ocupação do imóvel pela igreja inviabilizou o projeto, mas lamentamos a perda do cinema e das características originais do prédio’’, disse o vereador Ulisses Maia (PPS). Um grupo de ‘‘fanáticos’’ por cinema está preparando uma ‘‘homenagem’’ à inauguração da igreja, mandando uma coroa de flores pintadas de preto para os bispos e pastores.
O fechamento do cinema revoltou também seus antigos frequentadores. O jornalista Otacílio Tatá Cabral lembra que chegou a Maringá no ano de 1955 e o primeiro encontro que teve com a mulher, Gina, foi no Cine Maringá. ‘‘Não revolta porque é uma igreja que está comprando, mas do jeito que está daqui a pouco eles querem o Horto Florestal ou o Parque do Ingá para fazer um templo ao ar livre’’, diz revoltado. Tatá cobra do poder público uma lei imediata tombando o que resta de patrimônio histórico. ‘‘Se compraram o cinema que é patrimônio cultural, salvemos o resto.’’
O mais revoltado, no entanto, é o médico Heine Macieira, que é também produtor cultural. ‘‘Maringá tem cara do ano 2000 e a cabeça nos anos 40, ou menos’’, sentencia. Ele lamenta que a administração não se manifestou sobre a compra do cinema pela Igreja. ‘‘Só ela tem o poder de impedir que apaguem a história da cidade’’, observa.
Macieira concorda que as salas antigas, com capacidade para mais de 300 espectadores, estão sendo desativadas, mas se diz revoltado com um cinema ser transformado em uma igreja que ‘‘manipula’’ as pessoas. ‘‘Deveríamos fazer como a população de uma cidade mineira, que impediu a igreja de comprar o cinema local’’, sugere.

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