Unioeste produz softwares originais em Foz do Iguaçu
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Em uma instituição que não tem tradição de estimular a pesquisa científica, o curso de Ciência da Computação do câmpus da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) em Foz do Iguaçu vem se destacando nos últimos três anos. Em outubro de 96, a universidade em convênio com outros 14 organismos, públicos e privados , criou o Instituto de Tecnologia em Automação e Informática (Itai).
Organização não-governamental (ONG) tecnológica, o Itai já desenvolveu pelo menos dois softwares (programas de computador) que trouxeram benefícios práticos para a população de Foz do Iguaçu. Um deles, produzido em parceira com a Itaipu Binacional um dos parceiros no Itai , registrou, em um sistema multimídia (com som, fotos e recursos de animação), todo o processo de manutenção dos disjuntores da hidrelétrica.
Disjuntores são uma espécie de gigantescos interruptores da energia em alta tensão gerada pelas 18 turbinas de Itaipu a maior hidrelétrica do mundo. Instrumentos de alta precisão, eles são acionados toda vez que há a necessidade de cortar a corrente.
A limpeza dos disjuntores ocorre a cada dez anos. O software vai permitir que, no futuro, um funcionário que não esteja trabalhando na usina hoje possa se basear nele para fazer o trabalho, explica Juan Carlos Sotuyo, mestre em engenharia mecânica, funcionário da Itaipu e coordenador do curso da Unioeste. O programa também poderá ser adaptado para a manutenção de disjuntores em outras hidrelétricas.
Outro software que vai beneficiar a economia de Foz do Iguaçu é o Eventsys, desenvolvido na empresa júnior mantida pelo Itai, na qual atuam alunos do curso. Utilizando o sistema de código de barras, o software permite a automação completa da organização de um evento, principalmente no controle de frequência.
Foz do Iguaçu é a cidade paranaense que mais sedia eventos. Neste ano, estão sendo realizados 52 congressos, seminários, feiras e exposições na cidade. Em 97, o setor movimentou R$ 8,3 milhões. A produção comercial do software ainda não foi iniciada.
Em setembro, o Itai vai lançar um concurso para selecionar os beneficiados da Incubadora de Empresas Tecnológicas. O objetivo do programa é dar condições favoráveis de desenvolvimento a pequenas empresas da área que tenham projetos inovadores e viáveis, diz o engenheiro elétrico Jorge Habib el Khouri, diretor do instituto, também funcionário da Itaipu e chefe do Departamento de Ciência da Computação da Unioeste em Foz.
Em uma área de 220 metros quadrados, a incubadora vai oferecer equipamentos, apoio administrativo e consultoria de mercado. Depois de dois anos, as empresas são obrigadas a deixar o programa. As bem sucedidas pagarão royalties sobre seus produtos, para o autofinanciamento do sistema.





