A Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) precisou fazer uma sexta chamada, ontem, de classificados no vestibular realizado em dezembro, para tentar preencher vagas nos cinco câmpus, já com o ano letivo iniciado. A sexta chamada é inédita na instituição e pouco comum em outras universidades. Não há ainda explicações objetivas para isso, mas a reitoria tenta descartar a existência de um possível desinteresse dos candidatos pelos cursos da Unioeste, parte deles ainda necessitando de melhor estruturação - há falta de professores.
A sexta chamada teve que ser convocada inclusive para cursos considerados nobres, como medicina, odontologia e engenharia civil, no câmpus de Cascavel, com 40 vagas cada. Nas cinco chamadas anteriores, nove vagas não foram preenchidas. Engenharia química em Toledo tem sete vagas abertas; turismo em Foz do Iguaçu tem seis; e informática em Cascavel tem cinco. Na primeira chamada, em fevereiro, nada menos que 24 vagas de odontologia e 18 de medicina deixaram de ser preenchidas. O recorde foi agronomia (Cascavel) com 25 das 40 vagas não preenchidas.
O professor Tarcísio Vanderlinde, presidente da Comissão Permanente de Concurso Vestibular da Unioeste, observa que muitos aprovados podem ter obtido igualmente aprovação em outra universidade e optado por ela. Tarcísio argumenta que, em muitos casos, a principal justificativa está no fato de que, com o sistema de multivestibular, aplicado pela primeira vez, os candidatos puderam se inscrever para até três cursos, fazendo a opção por um deles após as provas. No entanto, o mesmo argumento dificilmente pode ser aplicado em relação a cursos que, teoricamente, seriam muito atrativos - como os da área médica.
No total, 76 candidatos foram convocados na sexta chamada para vagas em 27 cursos nos cinco campus (e na extensão em Medianeira). Entre os que faziam matrícula ontem em Cascavel estava Clementina Scherpinski, 27 anos, formada em matemática, e que cursará engenharia civil. Ela foi 73ª na classificação geral para o curso. Há casos de alunos que ficaram além da centésima colocação, convocadas para a sexta chamada.
Entre os aprovados, um que não se matriculou foi Daniel Melo, 19 anos, de Curitiba. Daniel foi o primeiro colocado para Medicina e detentor do melhor escore de todo o vestibular, somando 89.057,30 pontos.
Embora entenda que a Unioeste deva ‘‘estudar bem’’ a necessidade das seis chamadas, o presidente da CPCV descarta a possibilidade de que a falta de estrutura adequada em muitos cursos tenha afastado aprovados. Muitas turmas não têm aulas porque faltam 83 professores, cuja contratação ainda não foi autorizada pelo Governo do Estado.Edson MazzettoMais um diplomaClementina Scherpinski formada em matemática faz matrícula na sexta chamada para engenharia civilPaulo Pegoraro

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