Unimed recorre à Justiça por hospital
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Osmani Costa 
A diretoria da Unimed - Cooperativa de Trabalho Médico - de Londrina entrará com recurso na Justiça, até a próxima segunda-feira, para tentar reverter a liminar do juiz substituto da 9ª Vara Cível, Ademir Ribeiro Richter, que suspendeu na última segunda-feira a realização de uma assembléia que discutiria detalhes do terreno e projeto para a construção de um hospital na cidade.
A construção do hospital, defendida pela diretoria da cooperativa, foi aprovada por assembléia em dezembro do ano passado, mas é contestada por um grupo de médicos associados. O grupo entrou na Justiça e conseguiu a liminar suspendendo a realização da segunda assembléia que trataria do assunto.
No pedido de liminar, oito médicos - que dizem representar cerca de 150 sócios - alegaram que a direção da Unimed está desrespeitando o estatuto da cooperativa. O número de médicos presentes à assembléia não atingiu os dois terços exigidos pelo estatuto para a aprovação deste tipo de assunto. Não teve o quórum mínimo exigido e, portanto, não teve validade, afirma o pediatra Fernando Barreto.
O pediatra, que já foi presidente da Unimed durante oito anos, ressalta que a cooperativa é dos sócios e não da diretoria. Ela não pode passar por cima da vontade da categoria e do estatuto da entidade. Se querem continuar discutindo a construção do hospital, que convençam os médicos e convoquem nova assembléia para discutir o tema. Mas não para tocar adiante uma construção que não foi legalmente aprovada.
O recurso da diretoria da Unimed à Justiça estará baseado numa leitura diferente do estatuto da cooperativa. De acordo com o advogado que prepara o pedido de reconsideração da liminar, Armando Garcia, o previsto pelo estatuto é a necessidade de que votem dois terços dos presentes na assembléia; e que, destes, a maioria seja favorável. Isto teria sido conseguido na assembléia de dezembro.
O diretor de mercado da Unimed, o urologista Armando Gomes Diniz Júnior, afirma que a construção do hospital teve a aprovação, em pesquisa interna, de mais de 90% dos médicos associados, que são quase 900. O hospital, que ficaria pronto em quatro ou cinco anos, teria perto de 150 leitos e custaria aproximadamente R$ 10 milhões. A obra seria construída com recursos próprios da cooperativa, sem necessidade de financiamento bancário ou de reajuste nas mensalidades dos cerca de 140 mil usuários das 21 cidades da região de Londrina.


