A Universidade de Marília (Unimar) adquiriu terreno em Londrina para construir um novo câmpus, que vai oferecer 15 cursos superiores nas áreas de ciências humanas, da saúde, sociais e tecnológicas, a partir do ano que vem. O lote, de 25 alqueires, fica na Gleba Palhano, zona sul, e foi comprado por R$ 2,5 milhões pela Unimar e pela Loteadora e Incorporadora Royal, de Londrina.
  Segundo informações da incorporadora, o terreno é o mesmo que a Pontifícia Universidade Católica (PUC) havia requisitado à Câmara Municipal de Londrina para desapropriação. O projeto foi tirado de pauta depois que a Comissão de Justiça não considerou a destinação do imóvel como sendo de utilidade pública. A comissão também ressaltou a falta de indicação de recursos orçamentários destinados ao atendimento da despesa com a desapropriação.
  Para comprovar a instalação em Londrina, a Unimar protocolou ontem, na Câmara, um documento informando aos vereadores a aquisição do terreno e as obras a serem executadas ainda este ano. De acordo com o documento, serão oferecidas cerca de duas mil vagas e investidos recursos em construções de posto de gasolina, lanchonetes, restaurantes, lavanderias, lojas, gráficas, residências e demais edificações necessárias à comunidade universitária.
  No projeto, assinado pelo professor Aristeu Repetti, a Unimar faz uma projeção de oferecer duas mil vagas a partir de 2002 e gerar mais de 1.200 empregos diretos e indiretos.
  O construtor e incorporador Antonio Roberto de Oliveira, parceiro na aquisição do lote, disse que foram selecionadas várias áreas antes da escolha final. Oliveira contou que a Unimar já estava planejando a instalação desde o ano passado. Ele garantiu que já deve haver infra-estrutura pronta para que a Unimar ofereça vestibular no ano que vem. No documento entregue à Câmara, a construtora salienta que não há necessidade de destinação de verba pública e todas as despesas serão arcadas exclusivamente por recursos privados.
  O vereador Tercílio Turini (PSDB) informou que a compra do terreno pela Unimar pegou a Câmara de surpresa. Segundo Turini, os vereadores desconheciam as negociações. Depois de ter sido retirado de pauta o projeto de doação do terreno para a PUC, já havíamos feito uma reunião para tentar viabilizar o projeto, explicou Turini. Ele disse que os vereadores estão se mobilizando para que o projeto de doação de um terreno para a PUC volte a tramitar.
  Na semana passada, o reitor Clemente Ivo Juliatto esteve na Câmara defendendo a vinda da PUC para Londrina. Ontem, por telefone, o pró-reitor de planejamento e desenvolvimento, Roberto Borges França, disse que a instituição tem gestão privada, mas é de utilidade pública. Por essa razão, ainda existiria uma possibilidade de se insistir na doação de um imóvel.
  França argumentou que não interessa à PUC competir e nem disputar espaço com nenhuma outra universidade. Ele disse que a instituição representa a Igreja Católica e tem um peso forte na sociedade. Temos intenção de vir porque desempenhamos uma missão e dispomos de propostas para atender às necessidades regionais, assegurou França.
  A Folha procurou ontem a direção da Unimar, mas até o fechamento desta edição os responsáveis pelo projeto não retornaram os telefonemas.

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