Imagem ilustrativa da imagem Unila elabora Atlas Ambiental da microrregião de Foz
| Foto: Unila/Divulgação


Foz do Iguaçu - O Atlas Ambiental da Microrregião de Foz do Iguaçu (Oeste) é resultado de um projeto interdisciplinar conduzido na Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana) entre 2014 e 2018. Reuniu pesquisadores dos cursos de geografia, química e ciências biológicas para avaliar mudanças no período de 1980 até 2017 em aspectos naturais dos 11 municípios integrantes da microrregião.


Anunciado recentemente pela Unila, o projeto teve a participação de 14 pessoas, incluindo estudantes e pesquisadores de outras instituições. Foi divulgado um atlas on-line, com fotografias e mapas de diversos aspectos naturais e humanos da área. O aluno de geografia, Vinicius de Oliveira, foi responsável pela organização do atlas como parte das atividades de iniciação científica, que visa aproximar estudantes de graduação às pesquisas acadêmicas. O que foi obtido ao longo das pesquisas foi compilado e disponibilizado em um site (https://geograben.wixsite.com/atlasfoz/hidrografia), para livre acesso a todos os interessados.


Além de Foz, fazem parte da microrregião Medianeira, São Miguel do Iguaçu, Santa
Terezinha de Itaipu, Matelândia, Céu Azul, Missal, Itaipulândia, Vera Cruz do Oeste, Serranópolis do Iguaçu e Ramilândia

"É relevante para entender o uso do solo”, ressalta o estudante de geografia  Vinicius de Oliveira (centro)
"É relevante para entender o uso do solo”, ressalta o estudante de geografia Vinicius de Oliveira (centro) | Foto: Unila/Divulgação


Sobre a importância do estudo, Oliveira ressalta as diferenças nas paisagens vistas com o passar dos anos. "Ficou demonstrado o crescimento das áreas urbanas e também áreas com aumento de mata. Neste último caso, é uma consequência direta da lei ambiental que ficou mais severa, ficou visível que funcionou para restabelecer a vegetação", afirma. O atlas reúne mapas e informações sobre hidrografia, geomorfologia, solos, vias de circulação, Produto Interno Bruto e população.


A aplicação prática que o estudo vai permitir, defende o estudante, é útil também ao poder público. "É relevante para entender o uso do solo, revela os avanços das cidades e até áreas de floresta que diminuíram, algo que funciona como um alerta. Além de servir para as escolas dos municípios, como material para os professores em diversas áreas de conhecimento. Há informações inéditas que poderiam ser utilizadas."



Transmissão de conhecimentos

Financiado pelo CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o projeto de pesquisa foi supervisionado pelo do docente de geoprocessamento Samuel Adami. Ele conta que, para deixar de lado os padrões acadêmicos, foi pensada em uma visualização mais prática dos resultados. "Na parte técnica produzimos normalmente artigos para revistas científicas, material para congressos, mas para o público geral quisemos comunicar melhor o que foi obtido com as pesquisas. Assim surgiu o atlas. Inclusive vamos levar em frente essa investigação, para evoluir nos formatos que transmitimos o conhecimento para quem não está familiarizado na área."


A apresentação de mapas, com esquema de cores e a experiência dos usuários, deve ser objeto do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) do graduando Oliveira. Outra aplicação de pesquisas realizadas na universidade, e que atualmente está em fase de implantação, é um projeto de extensão que leva maquetes dos relevos da região para escolas. Segundo o professor Adami, é uma forma de os alunos visualizarem de forma real a região onde vivem, como a bacia hidrográfica e as paisagens naturais.


Sobre pontos de destaque no projeto concluído, o docente conta que apesar dos recursos financeiros limitados - fato que elenca como a principal dificuldade para a pesquisa - a participação dos alunos é o principal ganho e motivo de satisfação. "Foram vários alunos ao longo dos quatro anos e foi gratificante acompanhar o envolvimento deles. Ao final, era notório como estavam mais preparados para serem profissionais melhores. Esse ganho com formação de recursos humanos é o principal."


As pesquisas futuras, ainda em fase de planejamento, devem contemplar o mapeamento de perdas de solo na região oeste, em uma área mais ampla em relação à microrregião de Foz do Iguaçu. "Vemos que há problemas com conservação de solo, com casos de erosão nesta região. Se os produtores deixam de investir em conservação dos solos, por exemplo, o dano é grande", afirma o docente. O papel da Unila na região, continua Adami, é também de fazer a ligação com a sociedade e colaborar mais ativamente nas pesquisas que atendam especificidades da região que estão inseridas.

*Supervisão - Lucilia Okamura - editora de Cidades

mockup