Uniforme em estádio poderá ser proibido
Da Sucursal
Gilson CamargoAté quando?Estação-tubo atingida pela fúria dos torcedores após o Atletiba de domingo:38 ônibus danificados e vidros quebrados em diversas estações da cidadeA Procuradoria do Município de Curitiba está realizando estudos sobre a viabilidade legal de proibir o uso de camisas de times de futebol dentro dos ônibus da cidade, em dias de jogos. A informação é do presidente da Urbs (empresa gerenciadora do transporte coletivo), Fric Kerin, que defende a medida como única forma de conter o vandalismo praticado por torcedores.
A violência, que havia diminuído nos últimos clássicos, voltou a crescer domingo, quando aconteceu o Atletiba. Trinta e oito ônibus foram depredados, com estragos em 121 vidros. Também foram registrados problemas em duas estações-tubo. Numa delas, perto do Colégio Militar, no Tarumã, seis vidros foram quebrados.
A estação CIC-Norte, no Conjunto Caiuá, foi invadida antes do jogo por mais de 60 torcedores, que entraram nos ônibus sem pagar. O total dos prejuízos é avaliado em R$ 25 mil.
O clima de clássico também causou ferimentos em pelo menos três pessoas. A menor Caroline de Souza foi agredida por um grupo de 11 torcedores com camisas do Coritiba, no Sítio Cercado. Os torcedores, entre os quais oito menores, foram detidos e levados para delegacias.
No Jardim das Américas, uma pedrada atingiu Tereza Gomes Pereira, que foi levada para curativos no Hospital Cajuru. Um cobrador da Auto-Viação Curitiba foi ferido na mão por uma pedra. No total, a PM deteve 18 pessoas.
Chegamos ao limite no número de policiais que podemos colocar nas ruas em dias de jogos, diz o comandante do policiamento da capital da PM, coronel Renildo Gonçalves. Segundo ele, no domingo 388 policiais trabalharam no estádio Pinheirão e imediações e mais cerca de 250 foram espalhados pela cidade.
Para o coronel, a principal causa dos tumultos é o uso de camisas de times. Uniformizados e em grupos, os torcedores ganham anonimato e ficam à vontade para praticar violência, diz. A saída é a conscientização.
Mas o presidente da Urbs acha que o caminho mais eficiente seria proibir o uso de camisas nos ônibus e, se for possível, até mesmo nos estádios. Uma medida como essa precisa de sustentação jurídica, e é isso que estamos estudando, diz.
Kerin também anunciou que, a partir dos próximos jogos, a Urbs não pretende mais divulgar números de ônibus e terminais depredados. Isso gera uma disputa para ver quem quebra mais, diz. Só este ano já foram depredados em Curitiba 682 ônibus, dos quais 138 após jogos de futebol.





