Unidos contra o massacre
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de janeiro de 2009
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Dezenas de manifestantes se reuniram ontem no Centro de Curitiba para protestar contra os ataques militares de Israel na faixa de Gaza, na região da Palestina. Desde o final de dezembro de 2008 o conflito já matou mais de 765 palestinos, boa parte deles crianças, e onze soldados israelenses.
Munido de bandeiras de diversos países de língua árabe, faixas de protesto e acompanhado por um carro de som, o grupo se reuniu na Praça Santos Andrade por volta das 11 horas e de lá seguiram pelo Calçadão da Rua XV de Novembro até a Boca Maldita. O evento foi promovido pelo Comitê Árabe Brasileiro de Solidariedade e recebeu apoio de diversas entidades sociais e políticas locais, como sindicatos, partidos e entidades estudantis. Segundo o professor Francisco Assis França, um dos organizadores da passeata, a expectativa era reunir 500 pessoas ''independentemente da origem e da religião''.
Manifestações como essa já foram realizadas este ano em Foz do Iguaçu, São Paulo e Brasília e estão previstas em Porto Alegre (RS) e novamente em Foz do Iguaçu. A data de uma segunda manifestação em Curitiba será definida no próximo sábado. Segundo França, esse tipo protesto deverá continuar enquanto a agressão em Gaza não for interrompida.
A adesão dos curitibanos surpreendeu o palestino Ualid Rabah, que tem diversos parentes na Cisjordânia. Ele avalia que quase a totalidade dos moradores da Capital que passaram pela Boca Maldita mostrou-se sensível às fotos de vítimas do conflito em Gaza, expostas no local desde segunda-feira. Segundo Rabah, a sensibilização se dá pelo fato de ser uma luta ''desigual'' travada entre o quarto maior exército do mundo (Israel) ''e um povo que nem ao menos tem um exército constituído.''
Ele espera que manifestações como essa se multipliquem pelo mundo, pois acredita que elas têm o poder de interromper o genocídio. ''As marchas não foram capazes de impedir a invasão do Iraque, mas há um acumulado de consciência se formando'', observou.


