Unidade recebe os primeiros adolescentes
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segunda-feira, 26 de julho de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Depois de quase dois anos do início das obras, que foi alvo de muitas críticas, a Unidade Social de Internação de Londrina (Usoil) finalmente começou a receber ontem os primeiros adolescentes infratores que estavam apreendidos em delegacias espalhadas pelo Estado. A expectativa é de que a lotação máxima 80 internos seja atingida dentro de 15 dias. Embora a aparência continue sendo a de uma prisão, com alojamentos similares a celas e grades por todo o lado, a intenção é humanizar o tratamento dispensado aos menores ofertando cursos profissionalizantes, oficinas de arte, lazer e muito esporte.
Conforme informações do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), os 62 adolescentes que estão apreendidos em delegacias serão transferidos nos próximos dias para Londrina. Atualmente, segundo o Iasp, existem cerca de 820 adolescentes apreendidos nas instituições que atendem menores infratores em todo o Estado. O governo também está colocando em funcionamentos unidades menores para internação provisória em Santo Antônio da Platina, Umuarama e Fazenda Rio Grande. Ao contrário do que se previa, poucos menores que hoje estão no Centro Integrado de Atendimento Infrator (Ciaadi) de Londrina deverão ser transferidos para a nova unidade.
O diretor da Usoil, Tito Valle, explicou que a unidade irá abrigar adolescentes de 12 a 18 anos que foram privados da liberdade pela Justiça. Eles serão alojados em quatro alas de acordo com a faixa etária, compleição física e tipo de ato infracional. Dois adolescentes dividirão cada alojamento e ficarão responsáveis em conservá-lo limpo e organizado. Todos receberão seis refeições por dia. A unidade irá ofertar cursos profissionalizantes, oficinas de arte e artesanato, leitura e muita atividade física.
Os internos também terão à disposição uma biblioteca que está sendo montada com doações dos próprios funcionários e de empresas. ''80% dos adolescentes infratores cometeram delitos relacionados à sua condição econômica, como furtos e roubos'', lembrou o diretor.
Valle estimou que cada interno deverá consumir perto de R$ 2,5 mil mensais em recursos do Estado, mas ressaltou que é preciso encarar esse gasto como investimento. ''A sociedade não pode virar as costas para esses meninos que por uma razão ou por outra seguiram pelo caminho do crime'', argumentou.
Ele apontou que a forma de trabalho adotada está baseada na ''disciplina humana'', com normas claras tanto para os internos quanto para os funcionários, respeitosa e com a garantias à integridade física e moral do adolescente. Para o diretor, o mais importante é que os meninos sintam que podem superar seus problemas.
Com relação às críticas feitas à nova unidade desde o início das obras em setembro de 2002, Valle disse que muitos pontos foram alterados. Mas ainda assim restaram algumas deficiências como os banheiros coletivos e com paredes baixas, a fiação elétrica ao alcance das mãos e a tubulação das torneiras dos alojamentos que pode ser arrancada e servir como arma em uma eventual rebelião.


