A capacidade da Unidade de Internamento para Adolescentes (UIA), que está sendo construída em Londrina, será realmente para 80 internos, como estava previsto em seu projeto inicial. A confirmação foi feita ontem pelo secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social, padre Roque Zimmermann, que no final de semana esteve visitando a obra. Ele assumiu interinamente a presidência do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), após a exoneração de Carlos Alberto Lima, que defendia uma redução da capacidade.
Sobre a exoneração de Lima, padre Roque afirmou que ele vinha fazendo um bom trabalho, mas teria entrado em atrito com muitas pessoas. Isso dificultou sua manutenção no cargo. O secretário reconheceu, mesmo de forma indireta, que a discussão de Lima com a promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Édina Maria de Paula, sobre a capacidade da UIA, também influenciou em sua demissão.
A promotora negou que tenha ocorrido uma discussão. Ela explicou que não concordava com a proposta do ex-presidente do Iasp, pois existe todo um processo histórico que precisa ser respeitado. ''Não se pode simplesmente mudar um projeto'', afirmou. No mês passado, o clima ficou tenso durante uma reunião no Fórum de Londrina e Édina chegou a abandonar por um momento a sala. A reportagem procurou Lima, mas ele não foi localizado.
O secretário ressaltou que, apesar de ter 80 vagas, isso não garante que a UIA estará com sua capacidade totalmente preenchida. Ele completou que a proposta é desenvolver um trabalho humanizado voltado à recuperação dos adolescentes e inserção na sociedade. A expectativa do presidente interino do Iasp é realizar a inauguração em 90 dias. A unidade está sendo erguida na zona sul.
Segundo padre Roque, o problema de Londrina não é a capacidade da unidade de internamento, mas sim a forma como foi banalizada a questão da violência infanto-juvenil. Ele disse que ficou espantado como os menores falam dos crimes praticados com a maior naturalidade e sem pudor. ''Me espanta também as pessoas falarem da necessidade de reduzir a idade penal. Não estaríamos resolvendo os problemas, mas apenas virando as costas para eles'', declarou.
O secretário defende a realização de um ''grande'' debate público para discutir a questão da violência envolvendo menores em Londrina. Ele observou que estatísticas apontam que cerca de 50% dos jovens que retornam do Educandário São Francisco, em Curitiba, são mortos algum tempo depois nas ruas da cidade. ''O modelo atual de recuperação está falido e isso nos preocupa'', frisou.

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