Unidade de Saúde desativada vira mocó
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sábado, 29 de dezembro de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
O muro alto encobre o matagal, mas o portão escancarado dá livre acesso ao terreno na Rua Corroira, 541, onde funcionava uma Unidade Básica de Saúde, atendendo moradores do Parque das Indústrias Leves, na zona leste de Londrina.
Desativado desde 2006, o local se transformou em um mocó, frequentado por usuários de drogas. O telhado frágil, os vidros quebrados e o mato alto são os primeiros sinais do abandono do espaço. Ao entrar em um dos cômodos, onde seria a sala de espera por atendimento, um cheiro insuportável revela os restos de sujeira humana.
Por toda parte há frascos vazios de bebidas, restos de latas usadas para ''fumar'' crack, pedaços de roupas e moscas que também tomaram conta do local. ''Eles entram para usar drogas e até para esconder coisas roubadas'', diz Leandro Mortari de Souza, vigia contratado pelas indústrias do bairro.
Ele conta que o movimento no local é constante. ''Começa de manhã e segue o dia inteiro assim. São homens e mulheres entrando em grupos. É uma situação que incomoda todos os moradores e empresários'', diz Souza, ao ressaltar que o terreno é de responsabilidade da prefeitura, que deveria tomar conta.
A moradora e comerciante do bairro Maria Lourdes Sandi, de 47 anos, conta que era usuária frequente da UBS. ''Minha filha hoje tem 26 anos e quando ela era criança, eu a levava neste posto. Fico inconformada com a situação desse lugar. Está totalmente abandonado'', comenta Maria, ao defender uma reforma no local para abrigar outra UBS. ''Seria o ideal'', revela, confiante na gestão do prefeito eleito Alexandre Kireeff. ''Tomara que ele tome alguma providência. Estou otimista'', completa.
No ano em que a UBS foi desativada, a FOLHA noticiou a manifestação de moradores e integrantes do Conselho Local de Saúde do Parque das Indústrias Leves para a manutenção dos serviços. A unidade atendia 800 pacientes do bairro, que passaram a procurar a UBS do Água do Lindóia, também na zona leste. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde da época, o número de pacientes atendidos por dia não atingia o mínimo recomendado, que seria 200 atendimentos.
O setor de Patrimônio Público da Secretaria Municipal de Gestão Pública informou que após a desativação por parte da Secretaria Municipal de Saúde, o imóvel despertou interesse em outras secretarias. Devido ao período de transição na Prefeitura de Londrina, informações mais concretas sobre o local ainda estão sendo levantadas.


