O Ministério do Trabalho e Emprego interditou ontem à tarde a unidade de armazenamento de grãos da Cooperativa Agropecuária de Rolândia (Corol), em Cambé (13 km de Londrina), onde dois operários morreram no último dia 10 após caírem em um silo de soja. Ficou comprovado que a cooperativa não obedeceu as normas de segurança do trabalho e que os dois funcionários morreram por causa da falta de equipamentos de proteção.

Segundo o delegado-substituto do Ministério, Carlos Alberto Klamas, a empresa foi autuada por irregularidades no setor de Segurança e Saúde do Trabalho e só poderá retomar suas atividades quando solucionar as deficiências do setor. ''Constatamos que a empresa foi negligente porque não cumpriu as normas de segurança, o que provocou a morte dos dois funcionários'', afirmou.

Os operários Aparecido Rodrigues dos Santos, 40 anos, e Edivaldo Francisco Pereira, 35 anos, morreram asfixiados num silo com mais de 300 toneladas de soja. Edivaldo Pereira era contratado pela Labor Trabalhos Temporários e estava em seu segundo dia de trabalho na cooperativa quando morreu. Aparecido dos Santos havia sido efetivado há um mês. O laudo do Instituto de Criminalística de Londrina sobre o acidente deve ser concluído em 10 dias.

As irregularidades encontradas pelos auditores do Ministério do Trabalho na unidade foram a ausência de escadas fixas com corrimãos no acesso aos graneleiros, falta de luminosidade nos silos, inexistência de cintos de segurança individuais com fixação na estrutura do prédio e falta de guarda-corpo e rodapé na plataforma que divide os silos. A empresa também será multada, mas o valor da multa ainda não foi definido.

O delegado de Cambé, Antonio do Carmo, que instaurou inquérito para apurar a responsabilidade pelas mortes, já havia adiantado que os operários não utilizavam nenhum equipamento de segurança no momento do acidente porque o material não estava disponível no local. A cooperativa deve responder criminalmente por homicídio culposo causado por negligência.

O presidente da cooperativa, Eliseu de Paula, disse que a empresa foi surpreendida pelo Ministério do Trabalho e entende que a interdição foi um ato precipitado. ''Nem notificados anteriormente nós fomos. Os laudos oficiais sobre o acidente nem saíram ainda, por isso essa interdição não é justa'', disse. Ele informou que a cooperativa vai analisar juridicamente todas as irregularidades apontadas para saber se elas realmente podem justificar a interdição.

No dia do acidente, Eliseu de Paula garantiu que a empresa segue todas as normas de segurança determinadas pela Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e que os equipamentos de segurança estavam disponívies no silo.

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