Willian AmâncioPesquisaA professora Déa Maria Silveira, da Unicentro, pesquisa os costumes e a cultura indígena e visita frequentemente as escolas das aldeias da região.A proposta de uma educação diferenciada para os povos indígenas está se fortalecendo com o lançamento de livros com textos escritos e traduzidos pelos povos indígenas das reservas da jurisdição de Guarapuava. As ilustrações e textos dos índios kaingangs e guaranis das aldeias da região foram copilados e traduzidos por professores indígenas. São três volumes com uma triagem inicial de 2.500 exemplares. O lançamento será dia 17, na Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).
O trabalho de preparo e impressão das obras envolveram o Conselho Indígena da Região de Guarapuava, a Funai, Secretaria de Estado de Educação (SEED), o Núcleo de Estudos Indígenas e a Unicentro. A iniciativa é inédita no Paraná.
Os livros serão utilizados como material didático nas reservas indígenas da região de Guarapuava e de Londrina. As obras possibilitarão que os índios mais jovens conheçam algumas histórias dos seus ancentrais, seus costumes e sus cultura.
Pedro Cornélio Seg Seg, presidente do Conselho Indígena, diz que ‘‘os índios concluíram os textos literários para uma escola de um povo com outra cultura, que durante muito tempo já sofreu para se adaptar a um sistema educacional diferente’’. Para Seg Seg, o lançamento dos livros ‘‘marca a procura de uma escola que realmente desenvolva uma educação eficiente e capaz junto aos povos indígenas’’.
‘‘Nós que trabalhamos na base das escolas indígenas ficamos desconfiados das pessoas de fora que vêm nos falar em nossa própria aldeia. Podem ser universidades, escolas de formações de professores ou institutos de pesquisa. Gente que fala muito, mas não reconhece a dura rotina e o desgaste de anos de trabalho numa realidade dificilmente modificável’’, lamenta Seg Seg.
Segundo ele, os índios que se envolveram no projeto esperam que os livros sejam ‘‘o começo de uma busca do reconhecimento dessa cultura, tarefa impossível de realizar apenas com a literatura escrita pelos não-índios’’.
‘‘Os livros representam uma conquista que fazemos ao longo do tempo, e uma conversa do índio com o índio. Devemos ter consciência de que muito se tem a fazer, e que estes textos não podem encerrar a busca de chegarmos a uma educação ideal para os nossos filhos. Que eles sejam apenas o começo’’.
Proposta antiga A proposta de uma educação diferenciada para os povos indígenas não é nova, lembra a professora Déa Maria Silveira, da Unicentro, mestrando na área de educação, pesquisadora da cultura e costumes dos povos indígenas.
‘‘Sempre que pensarmos em alternativas para os índios, devemos antes ouvir o que els têm a dizer sobre isso. Os livros são uma proposta e uma resposta dos kaingangs e guaranis na busca de métodos que consigam estabelecer a comunicação do conhecimento entre culturas diferentes’’, afirma a professora.
Para Déa Silveira, o interesse da sociedade pelos problemas enfrentados pelos kaingangs e guaranis deve ser resgatado. ‘‘A própria comunidade universitária deve se engajar mais nessa questão, não só os professores mas também os estudantes das diversas áreas. Todos os que têm condições de contribuir devem se envolver com o processo de transformação que começa a acontecer nas aldeias indígenas’’, sugere.
Lançamento A solenidade de lançamento marcada para o dia 17, às 20 horas, na Universidade de Guarapuava, está envolvendo a Funai, SEED, Conselho Indígena, Núcleo de Estudos Indígenas, Assessoria Especial de Assuntos Indígenas. São dois livros em kaingang (1000 exemplares), e um em guarani (1.500 exemplares), impressos na Unicentro.
O responsável pela Assessoria Especial de Assuntos Indígenas, Edívio Batistelli, disse que se os livros obtiverem o resultado esperado pelos órgãos envolvidos, a tiragem poderá ser maior, com distribuição para outros Estados.

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