Paulo Pegoraro
De Cascavel
Municípios brasileiros estão sendo conclamados a firmar um Termo de Intenção, aderindo ao projeto ‘‘Criança no lixo nunca mais’’, liderado pelo Unicef, fundo da Organização das Nações Unidas para a Infância, e apoiado pelo Ministério do Meio Ambiente. O projeto quer erradicar o trabalho infantil nos chamados ‘‘lixões’’. Aos que aderem, o Unicef orienta e financia programas que resultam no tratamento adequado ao lixo e alternativas de renda para as famílias.
No Oeste paranaense, um dos municípios que já assinaram o termo é Toledo (45 quilômetros a oeste de Cascavel), onde são desenvolvidos programas de coleta seletiva e destinação do lixo. Na região central da cidade, o programa Lixo Útil recolhe materiais já separados para reciclagem. Nos bairros, o Câmbio Verde oferece cestas básicas de alimentos para 1,47 mil famílias carentes que recolhem e entregam lixo reciclável.
O Lixo Útil é considerado o programa de melhor resultado em 110 municípios brasileiros pesquisados pela Secretaria de Política Urbana do Ministério do Orçamento e Gestão. Segundo o prefeito Derli Donin, a adesão ao ‘‘Criança no lixo nunca mais’’ é ‘‘consequência natural’’ dos programas em curso no município. O projeto do Unicef foi um dos principais temas do Seminário Nacional de Resíduos Sólidos, encerrado sábado em Toledo, reunindo especialistas em questões ambientais de vários Estados e de outros países. O evento discutiu principalmente o lixo urbano.
A japonesa Reiko Niimi, representante do Unicef no Brasil, diz que a erradicação do trabalho infantil no lixo deve ser assumida como ‘‘um desafio a toda a sociedade brasileira’’. A meta do Unicef para 2002 é retirar do trabalho no lixo 50 mil crianças brasileiras.
A coordenação local do Seminário Nacional sobre Resíduos Sólidos divulgou ontem um documento com conclusões do evento, que será encaminhado ao governo federal e outros setores. No documento, os ambientalistas frisam que a implantação de um sistema de gestão integrada dos resíduos constitui-se em desafio ‘‘para o equacionamento de um dos maiores problemas ambientais das cidades brasileiras’’. Eles defendem uma legislação adequada que regulamente esta gestão, e uma política tributária que permita a cobrança por serviços como coleta e tratamento ao lixo hospitalar.

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