Única sem hospital, zona oeste espera fim de impasse para ganhar unidade
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quarta-feira, 17 de junho de 2015
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina "O atendimento aqui até que melhorou. Hoje vim só para pegar o remédio de pressão alta. Foi rápido. Quem precisa de consulta na hora é que ainda tem que esperar bastante", contou a aposentada Ana Rosa Claro, de 67 anos, ao deixar a Unidade Básica de Saúde do Jardim Leonor, na zona oeste de Londrina. A região é a única da cidade que não possui um hospital e a população se divide entre o atendimento de plantão 24 horas disponível no posto de saúde do Leonor e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Sabará.
O metalúrgico Israel Josué Gonçalves, de 61 anos, confirma que a demora na UBS do Leonor é sempre grande. "Cheguei às 7 horas da manhã. Fui o segundo. Tive pneumonia, tomei remédio, mas não adiantou muito. Da última vez, cheguei às 7 horas e saí às 3 da tarde. Vamos ver hoje...", disse olhando para o relógio que marcava 8h30. No dia em que a reportagem esteve na unidade, no início do mês, três médicos atuavam no plantão. Com a sala de espera lotada, algumas pessoas aguardavam do lado de fora.
Na UPA, a operadora de caixa Claudia Fuentes estava em busca de atendimento para a filha com catapora. "Cheguei por volta das 9 horas da manhã. Minha senha é a 120", queixou-se. Conforme os funcionários, mais de 80 pessoas já haviam sido atendidas.
Claudia e os outros entrevistados esperam que a construção do Hospital Zona Oeste (HZO) possa agilizar o atendimento na região. A preferência do governo do Estado é por um terreno ao lado da Pontifícia Universidade Católica (PUC). Nas últimas semanas, uma série de reuniões entre representantes do governo do Estado e da universidade foram feitas em Curitiba para tentar definir a doação do terreno.
De acordo com o superintendente de Unidades Hospitalares da Sesa, Charles London, uma comissão formada no final do ano passado reuniu representantes da Prefeitura de Londrina, do governo do Estado e de outros setores para avaliar terrenos onde poderia ser implantado o novo hospital. Conforme ele, pelo menos cinco áreas foram analisadas, duas delas pertencentes à Prefeitura. "Nos dois terrenos do município teriam que ser feitas construções verticais por causa do tamanho da área. Em um deles, um barracão ainda teria que ser demolido. Avaliamos também o conjunto de acesso a esses locais e chegamos à conclusão que o melhor terreno no momento para o tipo de construção seria esse próximo a PUC", justificou. Desde 2013, a Prefeitura de Londrina havia se colocado à disposição para doar ao Estado qualquer terreno pertencente ao município para abrigar o HZO.
O orçamento do governo do Estado prevê a destinação de R$ 25 milhões para custear a primeira etapa do projeto e começar as obras. No entanto, é preciso formalizar a doação do terreno para dar início ao processo de construção do hospital. "Esperamos que isso se resolva o mais breve possível para licitar o projeto e, na sequência, a obra. A expectativa é licitar a elaboração do projeto até o final desse ano", afirmou London. As obras devem durar cerca de dois anos.
Segundo o superintendente de Unidades Hospitalares da Sesa, todas as informações solicitadas pela direção da universidade já foram repassadas. No início do ano, R$ 19 milhões que seriam aplicados na construção do HZO em Londrina foram remanejados para hospitais de Maringá e Curitiba. "Não houve perda de recursos. Perda seria se nós não fossemos mais fazer o hospital de Londrina, mas isso não está nem em discussão. O projeto se mantém dentro do tempo em que a gente conseguir executar", garantiu, sem mencionar prazos.
A Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) informou, por meio de nota, que está em contato com a Secretaria de Estado da Saúde, inclusive tem participado de reuniões com representantes do órgão, para avaliar a questão que envolve o terreno do campus Londrina. A negociação sobre o tema tem avançado e a universidade deve deliberar em conjunto com a Secretaria Estadual de Saúde sobre o assunto.
O Hospital da Zona Oeste será voltado ao atendimento clínico de idosos e terá, aproximadamente, 150 leitos, incluindo 20 de UTI. "Teremos também leitos para cuidados intermediários. É um hospital de médio para grande porte com foco na região oeste de Londrina e nos municípios vizinhos", ressaltou London.


