Cerca de 100 mil brasiguaios sem toda a documentação e ameaçados de expulsão do Paraguai poderão ser amparados com recursos de US$ 20 milhões da União Européia. A Secretaria de Ação Social da Presidência do Paraguai já obteve do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) um empréstimo semelhante, de US$ 28 milhões (US$ 8 milhões não reembolsáveis), para ajudar pobres, imigrantes e meninos de rua.
O maior contingente de brasiguaios está hoje concentrado nos departamentos (estados) de Canindeyú e Alto Paraná, ambos fronteiriços ao Paraná. Eles necessitam principalmente de atestado de moradia e cédula de identidade.
Grande parte adquiriu dupla cidadania e até concorre a cargos públicos. Em San Alberto, a 80 quilômetros de Foz do Iguaçu, o empresário Romildo Maia elegeu-se prefeito na última semana. Em outras localidades fronteiriças, brasiguaios se elegem vereadores há vários anos.
O dinheiro solicitado ao BID deverá ser liberado depois de uma reunião da União Européia em Bruxelas, Bélgica, prevista ainda para este mês. Os mais prejudicados com a falta de documentos são os empregados de fazendas de brasileiros, contratados às vezes por salários não registrados em carteira e despedidos a qualquer momento.
Isto, para o presidente da Conferência Episcopal Paraguaia, Monsenhor Oscar Páez Garcete, significa ‘‘viver sem proteção’’. Depois de se reunir com o ministro das Relações Exteriores, Rubén Melgarejo Lanzoni, ele defendeu prioridade urgente para solucionar o problema.
Garcete compara a situação dos brasiguaios a dos aproximadamente 50 mil paraguaios que se encontram em Buenos Aires, igualmente irregulares na mão-de-obra contratada pela construção civil. Eles também não têm documentação, prejudicando-se ainda mais por causa da reserva de mercado de trabalho para os argentinos.
O bispo acredita que o envolvimento das autoridades consulares brasileiras em Assunção e Ciudad del Este solucionaria o impasse. Mas são poucos os recursos disponíveis no momento. Para este ano, por exemplo, segundo informou o embaixador Affonso Emílio de Alencastro Massot, apenas US$ 800 mil foram destinados à cobertura de despesas básicas: repatriação, assistência jurídica e auxílio a desvalidos.
O embaixador estima que para 1997 sejam reservados ao setor US$ 2,1 milhões. Os problemas aumentaram e os consulados não podem mais se restringir à assistência especial.

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